Pré-lançamento

Photobucket

Finalmente Fevereiro é o mês! Estão nascendo mais duas crias do mundo blogueiro!

Quem estiver interessado em adquiri-las, faça desde já a reserva pelo e-mail:

lobamulher@uol.com.br

Ou deixe seu e-mail nos comentários para que eu possa fazer contato.

Preço de cada livro, já com postagem para dentro do país: R$ 20,00



Abraços e beijos a todos. Até!

PS. estou no olho de um furacão interno e outro externo. Mas sobreviverei! Logo, logo estarei por aqui!


Transição

Ônibus cheio, trocentas sacolas em minhas mãos e ninguém percebeu. Nenhuma poltrona vazia. Segui equilibrando-me entre solavancos, mãos ocupadas e olhos desinteressados. Diferente de quatro anos atrás, quando entrar num coletivo já era uma grande novidade. Naquele tempo, sentaria. E várias mãos se estenderiam solícitas.
Um dó de mim mesma fez com que encolhesse um pouco mais. Tanto que a coluna sentiu. Ao mesmo tempo, algo quente foi crescendo nas entranhas. Raiva. Ainda indiscriminada, mas raiva. Bendita, sagrada raiva. Era tudo que precisava para sair do estado letárgico em que me escondera.
A realidade ainda era brumas difíceis de serem rompidas. Escuridão sem pontos de trajetória. Voltei-me para o virtual. Numa peregrinação sem objetivos, fui em busca da antiga habilidade com as palavras. Vi-me ainda afiada. Talvez um pouco lenta nos dedos e no raciocínio. Mas as brechas abertas mostravam que não se enferrujara o fio da navalha.
Uma necessidade urgente impôs-se acima dos conceitos lineares. Olhei-me ao espelho. Uma antiga imagem sobrepôs-se à da madona de cedro de sorriso bondoso. O lado perverso gritou em voz sufocada. Dois grandes personagens da antiga vida mostraram-me a língua. Sarcásticos e abusados. Descobri que os queria. Necessitava tê-los novamente fazendo parte deste novo processo. Deles tiraria sangue. Novo e vermelho.
Começou a transição. O caminho é longo - nevoeiro, pedras e espinhos. Mas, ainda frágil, minha luz já se acende. O resto é apenas uma questão de determinação. A maçã estará sempre lá. Mordê-la é o objetivo primeiro.
Estou boca, língua e dentes!


7 de janeiro de 2008

Lá se foram os primeiros dias de 2008. Arranquei a folhinha de dezembro e aconteceu da nova estar com a mesma cara. Só um pouco mais branquinha, me lembrando que recomeço a contagem dos dias.
O que mudou de 31 para primeiro?
- Sem dúvida, este intervalo festivo faz bem à esperança. É como se nos desfizéssemos da roupagem escura do cansaço e tomássemos emprestadas as asas da leveza. Velhas roupas coloridas saem do armário. O azul e o verde ganham brilhos que os olhos vêem novos. É, Drummond, a gente acorda o ano. E o novo ano nos acorda para a vida. Quanto tempo isso dura?Eu sei lá! Que sei eu além de não querer pensar em finais! Quero é que o vermelho seja eterno, mesmo que ausente, às vezes!
- Novamente perdi coisas do blog! Desta vez foram os links. Mas isso até que foi bom. Ao entrar em contato com o povo da minha lista, descobri que pessoas a quem admiro muito ainda se lembram de mim. Deu uma alegria de muitos sorrisos!
- Ganhei muitos presentes no ano de 2007. Alguns deles, inesquecíveis. Então aproveito para agradecer a todos vocês que me presentearam com presença, carinho e solidariedade. Agradeço especialmente àqueles que se preocuparam com as minhas ausências.
E agora, uma confissão: estou ótima, mas preguiçosa. Preciso urgentemente reencontrar o ritmo da escrita (leia-se parte da vida, já que pra mim escrever é também viver), me readaptar à vida blogueira e esquecer as andanças sem rumo dos últimos dias.
No mais, tudo como dantes. Estou de volta! (Eu sempre volto!) Ainda que me perdendo pelos caminhos!



Meu beijo ensolarado (como está quente por aqui!!!!)




PS1. Não estranhem a trilha sonora. Resolvi ganhar dinheiro com o blog e no pacote (que não pude escolher) veio a rádio. Em respeito a vocês, coloquei a opção de desligá-la. A quem preferir ouvi-la, sinta-se em casa e comigo, porque estou a ouvir música neste momento!

PS2. Por um tempo vou deixar este template de céu (palavras da mana Elis). Quem sabe assim os anjos dizem amém à minha firme determinação de ser mais centrada e menos desorganizada!

Felizes Dias!!!

Uma vez, muitos anos atrás, um mendigo que ajudei me disse:
- É fácil amar os amigos, a família, as pessoas bonitas. Difícil é amar um mendigo como eu.
Percebi naquele momento que o sentimento que me movia em relação a ele e a muitas outras pessoas era de piedade. Percebi também que estava muito longe de sentir amor por ele e pela maioria das pessoas com as quais eu convivia.
Desde então, venho tentando amar mais. Amar sem julgar. Amar sem condenar. E porque amar é um verbo de ação e exige atitude - atitude de mudança - estou sempre exercitando atitudes que me façam compartilhar mais, discriminar menos, amar mais. Não é fácil e estou muito longe de amar assim. Mas tento, insisto, persisto.

* * *

Dia destes ouvi de um amigo que o melhor presente que podemos dar a alguém são nossos melhores sentimentos. Os meus melhores sentimentos são de amor. Amor a mim, amor à familia, amor aos amigos, amor à vida, amor à natureza. Amor do meu jeito, mas amor.

Então, no momento em que é de praxe desejar um Novo Ano Feliz, desejo que cada dia de todos os seus anos sejam feitos de, com e para o

AMOR

Aproveito para agradecer a todos que transformaram minha árvore de natal numa imensa e linda nossa árvore da vida. Agradeço pelo tanto que me fizeram crescer, pela presença carinhosa, pela leitura ainda que silenciosa, pela companhia nestes quase cinco anos de blog. Foram, são e sempre serão muitas emoções, muita amizade, muito querer bem!


Beijos em cada um de vocês! Felizes dias!




Metafraseando Drummond


Receita de Ano Novo

para alcançarmos nossos desejos
de um feliz ano novo
não é preciso fazer epitáfio
para chorar o que não se fez
nem é preciso querer entender
o que ultrapassa nosso entendimento
também não é preciso vestir branco
ou esperar que venha fortuna
de caroços de romã

para termos um ano realmente novo
basta-nos plantar agora
no instante presente
as sementes de fraternidade

e ao virar a última folhinha
de um dezembro que sempre acaba
acordar o novo ano
com atos e atitudes
de esperança traduzida
em solidariedade e amor

Feliz Renascer!


Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket
A gata
Adal Ádina
Adelaide Adélia Adônis
Afonso Alê Aldinha Alexandre
Alcineia Alex Álvaro Amanda Ambidestro
AnaPoeta André Ângela Anne
Antoniel Antonio Anucha Aramis Astier Ariane AssisFreitas
Beatriz Bené Benno Bernardes BetoLins Bia Big Borbo Borboletinha
Bosco Caíra Camus Carito Carlinha Carlos Carol Cássio
Ceci César Chata Chuvinha Clara Clarice Clarissa Claudinha Claudinha Claudia
Cláudio CláudioCosta Cesar Cherry Chico Chuvinha Cleusa Cris CrisDestri Cristiane
Crys Cruzador Dácio DanielA DanielH FDantas Dudu
Dea Deia Deny Despudorada Dexy Deusinha Diana Diego Diovvani Dira-M Dirceu DO
Dora Edson Eduardo Elcio Elis Elisabeth Elise Erly Esyath Escritora de rua Fábio
Fernanda Fêmea Fábio Fé Felipe Flávio Francisco Ge Gildemar
Guto Hermann Iara Igor IgorK Ilídio Ilze Incompreendida Indianira Ivan Ivo
J.Barbosa Jack Jeanete JoãoBosco Jocyvan Jorge
Jota JoãoBosco JoãoPaulo Ju Júlia Juliana Júlio Junior JW Kako Kamael
Karine Karla Katia Kathia Kathy Kyra L.Rafael Lali Leandro Leco Leonard Lelissima li. Leiliane
Linaldo Lino Lique Lisa Livia Lys Lu lu lu Lucia LuciaMi LCarlos LRafael Luma Magui Maíra Makoto
Maloio Malu ManoelC Marcelo Marcinha MarciaClarinha Marco Maria
MariaClaudia MárioCezar Mario Marisa Mariza
Marla Matt Minina Mestra Miguel Miriam MônicaM Mucio Mutações
Naeno Nancy
Nandinha Narfe Nelson Neusa Nika Nilmar Nilson Nomadez Nonato Nora Passeando PedroPan
Pinho QuincasB Rafaela Ray RafaelaD Re-Ventania RegisMarques
RegisFalcão Ric RicardoMann RicardoRayol Ro Robson Ronald Rosana
Rubens
Rubo Sandra Sandrinha Sandro Sanka Santa Sarah Saramar Satine Sayô
Serginho Sérgio Seth Si Simone Sinuhe Sissa Shi Shumy
Sobreira Suze SoniaOrtega Soninha
TaísMorais Tânia Taninha Tarciso
Terê Thaís Taís TonMoura
Umbarco Vanderson Ve
Vivian Val Veruza
Val Freitas
Veri Vicente
VivianWagner
Walter Wania Webert Weder
Wilka WilsonG Octavio Zed Zequinha




Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket
Desejo de Natal

busco em árvores de natal
as luzes do renascimento
mas eis que encontro aqui
Árvore Viva
- amigos-
frutos de todos os dias
sorrisos matutinos
e vespertina alegria

a eles
- os amigos -
todos e mais alguns
que de passarinho
as asas tomarem:

Um Feliz Renascer
Em Amor e Fraternidade


Então é Natal...

Este texto deveria começar e terminar falando de amor, de esperança, de alegrias. Porque o Natal se aproxima e segundo o cristianismo o nascimento de Cristo simboliza paz, amor e esperança. Segundo o capitalismo, é tempo de bons negócios, de vitrines coloridas, de corre-corre para a compra de montanhas de presentes. Mas não vou falar deste Natal monetariamente colorido ou da simbologia religiosa desta comemoração. Vou falar desta festa cristã que, contrariando o próprio espírito cristão, faz crescer, dolorosa e assustadoramente, as diferenças sócio-econômicas deste nosso país.
Você já imaginou a vida sem sonhos? Podemos até ter períodos em que os sonhos parecem correr de nós, mas no geral somos seres movidos pela esperança e pelos sonhos. Agora imagina como seria sua vida se não houvesse esperança de realizar sonhos? Ou pior: se você não soubesse sonhar!?
Então é Natal... e existem milhões de crianças que não podem ou não sabem sonhar com o Papai Noel. As mesmas crianças que na noite de Natal verão o brilho das luzes refletidas em seus irmãos mais afortunados enquanto seus olhos se encompridarão e se fecharão na tristeza das mãos vazias e da esperança ausente. As mesmas crianças que ouvirão e não entenderão a canção que diz: como é que papai noel, não se esquece de ninguém, seja rico ou seja pobre o presente sempre vem.
Então é Natal... mas não consigo estar inteiramente feliz com minha árvore super enfeitada de luzes e presentes, com minha ceia já programada, com o carinho dos amigos em forma de cartões e presença, com a borbulhante alegria da família reunida, com o sorriso de antecipação feliz que vejo em cada rosto.
Mas é Natal e desejo a você um Natal exatamente como você planejou, como você quer sua noite de Natal. Com todas as alegrias, todas as cores e todos os sorrisos de Natal.
E desejo mais. Desejo que você não se esqueça de acender uma luz no túnel de uma criança. Ainda que seja de uma única criança. Ainda que seja numa única noite.
Porque é Natal.

Midi: John Lennon

Encruzilhada

Fui desafiada pelo Rayol a escrever um texto usando os últimos dez títulos postados aqui. Soubesse eu que um dia teria que debruçar sobre meus títulos, teria pensado um pouco mais antes de colocá-los. Como não penso, eis-me aqui fazendo o quase impossível exercício de poetá-los. Mas desafio é desafio. E não fujo de um – ainda que me sinta ridícula lendo o resultado!

Que tipo de gente sou eu?

mergulhando de cabeça
na latência da crise poética
vou em busca de respostas
para o infindo e circunstante
desfile dos meus anos

mas que sei eu
da arte de envelhecer
se na superação do final
(o último de tantos outros)
foi fugindo à solidão
(em diversas e tortas promessas)
que me deparei com a receita
do não saber ser feliz

ainda assim
caminho de rosto erguido
contratando a esperança
nos gestos de mudança
e nos atalhos da vida

e a poesia de quarto
fica de quatro
em stand by

à espera de nova parceria



* * *

Gente, eu desisto de mim e da minha falta de tempo. Não sei o que mais me incomoda: se deixar esta página abandonada ou atualizá-la sem dar retorno às visitas que recebo.
Seja como for, não faço mais promessas. Apenas vou levando a vida (porque não gosto que a vida me leve) aos trancos e barrancos e fazendo o quase impossível para transformar 24 em 36 horas.

Um beijo em cada um de vocês! E meus muitos agradecimentos por não se esquecerem de mim!

midi: b b king and eric clapton

Que tipo de gente sou eu?

Genericamente, eu me digo mulher. Organicamente igual a todas, fisicamente diferente embora saída de um padrão comum. Emocionalmente perfeitinha - eu me vejo; complicadinha para o mundo. Moralmente amoral, é o como eu gostaria. No entanto, firmemente moldada por valores judaico-cristãos.
É no emocional e no moral que importa agora me questionar. Renascida outra vez e outra vez emergindo do ventre da baleia, importa continuar me olhando. Esta não é uma pergunta minha, mas uso-a para recolocar mais algumas peças no meu próprio jogo de xadrez. Hoje escolho a mágoa como uma das peças a ser movida na tentativa de que seja melhor entendida.
Sou facilmente magoável. De uma sensibilidade idiota, vou colecionando pequenas feridas na alma. Mas não falo delas. Deixo-as lá como se fossem apenas picadas de abelhas: incomodam, mas não matam.
Um dia a alma vira uma colméia de picadas e me fecho. Sem nenhuma chance de defesa, julgo a abelha e a expulso do meu convívio. Ignoro-a solenemente. Esqueço a mágoa como se nunca existira. Esta é uma versão da minha prepotência.
Em outra versão, perdôo. Visto-me de Deus e magnanimamente olho quem me feriu e decido dar-lhe a chance de continuar ao meu lado. Mas continuo sem destampar a mágoa. E a relação passa a ser superficial. Viro abelha-rainha cercada de operárias mudas porque deixo de escutá-las - por não mais admirá-las. E elas perdem o poder de me ferir. Estas são as que têm possibilidades de reconquistar a minha admiração. Se quiserem.
Fácil é constatar as minhas atitudes. Difícil é mudá-las.
E por ser difícil, outras perguntas se apresentam. Mas por que devo? Para sofrer menos? Ou para ser mais querida? Para ser coerente? Mas coerente com o quê? Ou será que tudo isso é apenas uma faceta da minha carência?
Responda quem quiser. Eu, por mim, vou tentar ser mais humana e menos estrela sem brilho. Ou menos abelha-rainha. Ou seria menos deusa?
O que mais eu poderia dizer ao final de um post deste? Começou sem pé nem cabeça, termina um pouco mais incoerente. Talvez porque eu seja mesmo um anti-modelo. E hoje seja segunda-feira.
Mas uma segunda feliz! Vivi ontem mais uma super aventura nas estradas de Minas e me redescobri viva. Outra vez!

Semana de brilhos a todos vocês. Com beijos meus.

Frase de hoje:

Não ligo se você não gosta de mim. Mas se gosta, eu me ligo!


Cópia ipsis litteris de uma segunda-feira qualquer de um ano qualquer
(tenho mania de não colocar data nos meus posts)
que se encaixa perfeitamente no meu hoje.
Crescer em idade nunca foi sinônimo de crescer em sabedoria.
Mas talvez não seja tão ruim assim!!!

Midi: Alegria - Cirque du soleil

stand by

Embora ligadíssima, estou com apenas 12% de energia bloguística. É pouco, muito pouco para tantos e fiéis e queridos amigos. Mal dá tempo para postar aqui e sair correndo. Portanto, peço desculpas pelo meu sumiço e prometo voltar assim que a minhas muitas atividades (de lobalouca) permitirem.
Um beijo e obrigada a todos que passam por aqui!



gesto de mudança

num mundo
onde a fome de justiça
é apenas quimera
e solidariedade
é verbete de aurélio
não há de se esperar
milagres divinos

é preciso vir do homem
o gesto de mudança

começa pequeno

nasce da vontade
de ser mais do que espera

torna-se
a chávena de luz
que ilumina caminhos
amplia olhares
multiplica ações

e cria
o gesto solidário


* * *

Crise poética

Como vêem, estou em crise poética! Tenho estas crises, vez em quando. Desta vez, parte da responsabilidade é mesmo da minha loucura. Outra parte é da Lista Literária Com_Texto onde re-entrei e encontrei antigos companheiros. É uma gente muito interessante com quem aprendo a ousar. E poetar tem sido minha grande ousadia. Este poema saiu da invasão que fiz ao texto Chávena de luz, de Clauder Arcanjo. Eles, os "com_textadores", são tão interessantes que permitem a minha intromissão amadora! Só tenho que agradecer e ficar feliz demais!

Recado para os integrantes das Coletâneas

Os originais já estão na editora. Estou aguardando que me mandem as provas para revisão. Entro em contato assim que recebê-las.

A quem quer terminar o ano em confraternização


AMIGO OCULTO 2007

Clica aí e entre na brincadeira!

Beijos e beijos. Otima semana a todos.

Poetando

arte de envelhecer

acima dos meus atos falhos
quero fazer pairar
a minha envelhescência

um ato de subjetivação
que me tornará sujeito
do correr das horas
que me fará significante
no encontro-desencontro
da alma que dança
do corpo que cansa

acima do desejo de etern(a)idade
quero pairar
envelhescente

e tecer
levemente
as tramas do tempo

* * *


Amigo oculto

Quer entrar na brincadeira?
Clica no link e leia as regras e instruções:

AMIGO OCULTO 2007

* * *

Ótimos dias para todos. Com beijos meus.





Midi: Fascinação - Violinos Mágicos

AMIGO OCULTO

Quer entrar na brincadeira?
Clica no link e leia as regras e instruções:

AMIGO OCULTO 2007


poetando


latência

enquanto fantasio
o ponto alto
de tua fome
no emaranhado
dos meus pêlos
dedilho
urgências
na boca da noite

e inundo
de gozos
os códigos da espera

* * *

Frase do dia:

"Viver e não ter a vergonha de ser feliz" Gonzaguinha


poetando junto:

Crys:

Dois desejos
duas saudades,
duas cabeças pensando
dois sexos apaixonados
querendo um só desejo
dois gestos
um grito
na madrugada
Vencidos!



* * *

Beijos de menta pra quem quiser!!!


midi: the crystal chip - the doors

A superação do final

Para Lu (terceira) e a quem mais interessar

Final é algo doloroso sob todos e quaisquer aspectos. Há sempre alguém que se machuca ao final de uma relação. Mas nenhuma relação morre de infarto. Em geral, ela adoece e morre aos poucos. E nem sempre esta doença é perceptível aos dois. Quando um dos dois põe fim à agonia, o outro sente a morte na alma. Solitária e dolorida.
É quando se toma consciência da quebra de uma união sonhada – seja ela em que nível for. Vive-se então o tempo em que as feridas sangram profusamente. Até que o imaginário se acostume com a falta do sonho. Após o sangramento, a dor transforma-se em algo indesejável. É preciso expulsá-la para que haja um renascimento. Uma das opções é a busca da raiva. Raiva é um sentimento possante, forte o bastante para se sobrepor à dor. E mergulha-se nela tirando de si a responsabilidade pelo sofrimento. Durante um tempo, vira-se um dedo acusativo apontado para o outro.
Mas é preciso voltar os olhos para dentro de si mesmo. Reconhecer que a eleição do outro como único que convinha ao seu desejo, foi escolha livre. Recolocar-se dentro do processo, como sujeito das ações, é o próximo passo. Rever sonhos, atos, atitudes e, especialmente, ver-se fora do contexto do “eu enamorado”. E reconhecer o quanto se esteve solitário dentro do próprio sonho.
Este é o ponto onde a dor é cortante. A alma se quebra. Mas é também o ponto da libertação. É quando estamos prontos para nos vermos livres do sentimento opressivo do sonho desfeito. É quando estamos prontos para fechar a porta dos fundos, limpar as paredes e abrir as portas de entrada.
E arregalar olhos, braços e vida. A todos os sonhos do mundo!


* * *

No dia da Consciência Negra, meu desejo é que todos nós possamos caminhar no sentido de assumir os nossos preconceitos, vencê-los e verdadeiramente aceitarmos as diferenças - especialmente as sociais e raciais.

* * *

Sumi porque estive mergulhada nas coletâneas! Enfim, estão no prelo! Lindas, maravilhosas!!!!
E eu, novamente na área!

* * *

Grandes beijos a todos!


midi: eu não sei quem te perdeu - pedro abrunhosa e sandra de sá

Saber ser feliz

Éramos eu e ela. E o barulho rumorento de centro de cidade. Ela falava, eu escutava. Vez ou outra abanava a cabeça em concordância. Ou a balançava discordando. Sem espaço para voz. Ela me chamara para ouvi-la, apenas ouvi-la – eu descobria naquela hora.
Após uma descontrolada enxurrada de palavras, algumas caretas, arregalar de olhos e voz em falsete, ela começou a chorar. E eu ali. Olhando-a e me perguntando que atitude tomar. As palavras faziam cócegas nas minhas cordas vocais. O bom senso me dizia para esperar. E o coração, derretido, pedia-me para dar-lhe colo.
Alguns poucos minutos de lágrimas e ela me olhou desafiante:
- Entendeu por que não quero mais ouvir falar em felicidade? Se isso existe, não foi feito pra mim.
Eu sabia que deveria sair do estado cataléptico em que me encontrava. Era a minha vez de entrar em cena. Talvez, assumir aquele ar compreensivo e maternal que tantas vezes usei com meus alunos. Mas, estranho, descobri que não conseguia sentir carinho por ela. Não naquele momento.
Ao invés de responder-lhe, fiz sinal à garçonete. Pedi outro suco. E olhei à minha volta. Sem nenhuma vontade de olhar para ela. Sem nenhuma vontade de discutir felicidade.
- Parece que você não escutou nada do que eu disse.
- Escutei, claro. E parece que fez bem a você falar sobre tudo isso, né?
- Mas é só isso que você tem a me dizer? Que amiga é você? Não vê que estou desesperada e precisando de ajuda?
- Escutar e calar-se, às vezes, é o gesto mais amigo que alguém pode ter.
- Que merda! Não foi pra ouvir isso que te chamei aqui!
- Ok. Então vamos embora. Tenho que voltar ao trabalho.
- Pelo amor de Deus!!! Não vai me deixar aqui neste desespero, vai? O que faço?
Sorri. Sem nenhuma felicidade. Também sem nenhuma vontade de continuar aquele papo. Maldade minha, pensei. Ela espera a minha mão amiga. Mas já passou da hora desta criatura parar de olhar para o próprio umbigo e começar a crescer.
- Aninha, se você estivesse me pedindo uma grana emprestada, ou estivesse precisando de ajuda para um trabalho ou algo parecido, seria fácil. Mas ensiná-la a ser feliz é impossível minha amiga.
- Mas tem que existir uma explicação pra tanta infelicidade. Quero que me ajude a entender isso, compreende?
- Não tenho respostas pra isso, Aninha. Você é que precisa encontrar suas respostas. Talvez precise aprender a olhar à sua volta. Quem sabe assim você se descubra muito menos infeliz?
- Porque felicidade, minha querida, não é um objeto perdido que precisa ser desesperadamente encontrado. Nem um sentimento que precisa ser pensado. Felicidade a gente vive. No agora, nas coisas pequenas, nos gestos, nas atitudes. Felicidade é percepção. De si mesmo e do seu entorno. E, especialmente, felicidade não está lá fora, em alguma coisa ou em alguém. Está dentro de cada um de nós.
A conversa ainda durou mais alguns minutos. Até que dei por encerrado o papo. Meu tempo havia acabado. E eu estava aliviada por ter conseguido devolver a ela a carga que a ela pertencia.
Porque é função nossa de cada dia saber viver. E saber viver é também saber ser feliz.


* * *
Beijo e carinho. Pra você!

Poetando

solidão

como instrumento de dentista
insidia-se

invade carnes
nervos
dignidade

e prega no espelho
a falta de atitude:

medo
de sentir-se instrumento
da própria felicidade

* * *

Proseando

Para quem gosta de prosa, estou AQUI! E já agradeço pela visita!

* * *

Mil agradecimentos ao João Bosco pelo mimo e pela declaração de afeto.
Outros mil agradecimentos à Gata por um fio por ter se lembrado de mim.
Fico devendo aos dois a postagem dos memes. Ainda o farei!



Beijos e linda semana a todos!


midi: a felicidade - tom jobim

...

Acabou a brincadeira de múltipla escolha!
Em relação à primeira enquete, mais uma vez, constatei: vocês são todos uma gracinha! Ninguém me xingou, ninguém me mandou praquele lugar, ninguém me deu de presente um lustra-móveis!
Mas fiquem tranqüilos. Não pretendo mandar e-mail convidando-os. Já sou extremamente grata a todos que me visitam apesar dos meus múltiplos sumiços. A não ser, em situações de extrema necessidade (que podem ser raras ou não, que podem ser necessidades minhas ou não!)
Quanto à segunda enquete, não foi brincadeira. Todos os anos (ou quase todos) a gente brinca de amigo oculto. Neste ano, brincaremos de novo. Só tenho uma exigência: quem entrar tem que se comprometer. É super chato ficar alguém sem presente!
Mas este é um papo para outra ocasião. Ainda vou pensar na proposta. Outra hora, outro dia, falamos nisso.

Agora, só quero brincar de poetar. Vamos?


mine(i)ração

um dia
correrei entre teus pêlos
(rios da tua transpiração)

em leitos de gemidos
densos
roucos
sustenidos
sorverás os meus liqüens

e nas escarpas boêmias
dos meus vales
e montanhas
descobrirás

cavernas
e minas
da tua perdição

* * *

Todos os poemas deixados aqui nos comentários estão aqui: Poetando com a Loba
Hoje tem um poemalindo deixado por Erly Welton Ricci!



* * *

Beijos molhados - com gosto de temporais mineiros!!!

Múltipla Escolha


A conversa está muito boa, mas as abobrinhas caíram de maduras! Não que eu já tenha resposta para o insucesso da minha bunda ou que tenha me cansado do assunto. Mas é que sou compulsiva e já pintou outro papo que quero ter com você. Mas se você ainda não leu o post anterior e ficou curioso, fique à vontade. Visite minha amiga Jeanete Ruaro, porque seus poemas valem todas as visitas, e corra lá na minha parceira de surubas, a Cherryzinha, porque o post dela é mil vezes mais interessante que minhas abobrinhas!
Desde que volte aqui e leia este, claro!

Diz aí: o que você acha de receber um e-mail meu, todas as vezes em que eu virar a página do meu blog, te convidando para uma visita?
PS em letras mínimas: o convite não inclui de forma alguma a retribuição da visita!
Para facilitar, te dou 5 opções. Você escolhe quantas quiser:

1. vai dar pulos de felicidade pelo privilégio de me ler
2. vai me mandar de presente um lustra-móveis
3. não vai se incomodar em receber o lembrete, mas também não o levará em consideração
4. se estiver num dia bom, vai dar uma passadinha no meu blog
5. vai ficar com vontade de me dizer: o blogger tem um recurso chamado ping que me avisa quando há atualização nos blogs que me interessam, portanto não se incomode.


Agora, passemos para o próximo assunto. Também aqui, você vai escolher a opção que mais lhe agradar.
O que você acha de receber em casa um presente? Não, não é nada parecido com aquelas propostas indecentes de ganhar algo depois de pagar um absurdo por outro algo. É presente de verdade, mandado por um amigo oculto!

1. Não gosto destas brincadeiras/ não tenho tempo para amigo oculto
2. Topo, mas se o presente tiver um valor máximo de, por exemplo, 20,00 e se todos se comprometerem a levar a sério a brincadeira.
3. adoraria participar, mas não tenho grana para comprar presente
4. quero participar
5. gostaria de participar, desde que o presente seja simbólico – como os presentes dos anos anteriores.
6. .................
( a sexta é uma resposta extra que você pode dar. Afinal, tudo vale a pena quando a alma não é pequena!)

Então, acabou meu tempo. E o seu também. Vou deixar este post aqui por tempo indeterminado. Ou até que eu me canse dele (o que pode acontecer em horas... ou dias)


Grande beijo! Ótimas horas!!!



PS. Não se esqueça: você tem até o dia 30 de novembro para participar:


Maiores informações, AQUI



midi: solitude

Abobrinhas dominicais

Há um tempo atrás eu vivia indignada e com uma grande interrogação: bunda, eu? Isso mesmo, a interrogação era um plágio de Magda Almodóvar. Vou te contar porquê. Os homens me olhavam como se eu fosse apenas uma bunda. Até entendo que ela chamava atenção. Mas e os meus cabelos? Eram invisíveis? Então era assim: eu passava horas num salão de beleza, fazendo unhas, cabelo, sobrancelha. E nada disso parecia fazer diferença. Os olhos não subiam nunca. Sem contar com o mais importante: eu me achava inteligente, interessante, divertida. E eles só queriam saber da minha bunda. Não era para ficar indignada?
Mas isso é passado. E como todo passado, com gosto de saudade. Não que eu queira voltar a ser apenas uma parte da anatomia feminina, mas o meu ego anda precisando de olhares mais efetivos. Ontem estive no mercado central. Não ouvi nenhum zum-zum-zum. Apenas olhares discretos de homens que se fingiam respeitosos. Tenho certeza que os machos não mudaram. Não aqueles que ficam em botecos de mercado. Nem a minha bunda. Disso, também tenho certeza. Então o que mudou? Mudei eu. Cresceu a idade, decresceu a sensualidade. Será? Mas sensualidade não tem idade. Ou tem?
Agora, diz aí: por que estou escrevendo estas besteiras?



Ela, minha antiga companheira de surubas, deu resposta a esta pergunta. Se eu concordo com tudo que ela disse, importa pouco (ou importa apenas ao meu ego, muito mais que ao coração ). O que importa é que ela fez um belo post sobre a nossa conversa! Quer ler? Clica AQUI!

* * *


Para tentar salvar o domingo, reativo o
Espaço dos Amigos
com um poema que acabei de ler no blog
da minha querida amiga
Enrolando cirandas

Tão veloz o tempo flui
são tantas vidas numa vida
A infância é esperança
A juventude o desassossego
não espera...
tem pressa demais.
Com chispas de lua,
insinua-se a idade madura
Rabo de cometa, solar diadema,
Ritmo e emoção pura
Tudo é asa de poema
Amor é eterno...eterno enquanto dura
Tento enrolar cirandas
( Não consigo jamais)
Guardando cada fonema
De tantos “eus” que já fui,
só enrolo os carretéis dos meus ais.


Beijos domingueiros. E meu carinho para todos!


midi: nem luxo nem lixo - rita lee

lembranças

uma manhã de nuvens
cheirando verão
as paredes prendendo
o silêncio do tempo
o relógio chorando
os minutos iguais
e a espera deitando
no prato de arroz

uma tarde chuvosa
beirando natal
o chão dormitando
na enchente do rio
um sino brincando
de sete marias
e a boca adoçando
geléia de jiló

uma noite pingando
dentro e fora do mito
o espelho frustrando
a esperança do rito
o lenço enxugando
dormentes de trem
o adeus respingando
promessas no vento

e o tempo partido
derivando pra vida


(dedico a postagem deste poema à minha irmãzita Adélia
e à minha grande amiga Dorita e ao querido Jota.
Porque eles gostam de ritmo e, pela primeira vez
e ainda que intuitivamente,
sinto que cheguei perto de alguma coisa parecida com musicalidade)


Releituras:

Wilson Guanais:

TRI-CICLO

Manhã
Tarde
Noite

Ontem
Hoje
Amanhã

Passado
Presente
Futuro

: o Pai
o Filho
e o ...

Amem


Clarice:

parei de beirar natais
(quando dei conta que)
beiro os dias que me são
faço o possível (impossível as vezes) para "sê-los"


* * *


enquanto houver pés, haverá caminhos. enquanto houver lembrança, haverá saudade. enquanto houver vocês, haverá nós. (devo estar plagiando alguém - porque nesta vida quase nada se cria... quase tudo se copia!)


Beijo, pessoas! Ótimas noites, ótimos dias.

Poetando

calçadão

um menino
uma fome
um vazio
:
uma bomba
prestes a ferir o silêncio da omissão

o derrame
de medo dos passantes
tingindo de vermelho
a brisa caída

e a violência
batendo na cara
das camadas de acomodação


outras palavras

AdeliaTheresaCampos:

rompido o silêncio
passado o temor
fechamos a janela
o vermelho tem mais brilho
com um balde de pipoca
olhos na televisão

Lisa:

BORRÃO

E ele continua ali, pintado, caído, na vitrine do cotidiano.
Seu nome? De menor, pivete ou João de Oliveira (é ninguém perguntou)
Mas todos sabem: hoje a mãe de Joazinho não terá ele de volta ao lar.
E outros Joazinhos acabaram de nascer no Hospital dos Indigentes e novos artistas já se preparam para tingi-los de vermelho.


Wilson Guanais:

HOMO HURBANUS

trancada
em
seu
carro
(blindado)

a pessoa
e um
"não-de-guarda"

: de
vida-
mente-
adestrado
...

Dora Vilela:

um menino com fome

várias pessoas
que passam
insensibilizadas
pelas variadas fomes
que desfiguram
a verdadeira
fome de vida

dele...


* * *



Um beijo em toda gente. Com muita pressa, mas com todo carinho.


PS. Beijo especial pra Shi, pela poesia que ela nem sabe que tem!


midi: joão e maria - chico buarque

Sobre a poesia contemporânea - L. Rafael Nolli

"Não é de hoje que a poesia tem se distanciado do público leitor. Não bastasse vivermos num país que pouco lê, há ainda, por sua vez, uma onda de poetas tomados de aversão ao leitor."

Se você concorda, continue lendo AQUI. Se não concorda, mais um motivo para continuar a ler!

sem título

Alguns textos que faço são um pedido implícito de afago. Eu sei! Faz parte do meu lado “gauche”. O lado que briga e que beija, que tem um pé nas nuvens outro no abismo. Não me lembro de ter havido um anjo me dizendo que ele existe, mas sempre me vi em dois caminhos na vida. E o gauche foi sempre muito interessante. O outro é comum. Aquele em que os sapos param na garganta até que possam ser jogados na parede – ou na cara de alguém!
Mas voltando às minhas carências, não há coisa mais bonitinha que afagos que dizem ser “sempre muito love estar aqui” ou todos os outros que recebi nos comentários do post anterior. Acordei, Cherry! E sem vergonha de pés ou mãos ou seios ou da lei da gravidade cobrando a passagem do tempo! Agora, só alma lavada e coração expectante. O que é o mesmo que dizer: quero a paixão ardendo no sangue!

Mas não era nada disso que pretendia escrever aqui. Queria era socializar um texto que recebi da Ceci, um artigo de Eve Ensler – dramaturga, artista e ativista que tem dedicado sua vida à luta contra a violência, especialmente a violência contra mulheres. Não é nenhuma novidade, para nós, as atrocidades sofridas pelas mulheres de algumas repúblicas africanas, em especial a república do Congo. Mas neste artigo Eve nos mostra o inferno. Não há como sair ilesa depois de ler Feminicídio no Congo.
O artigo está transcrito AQUI para quem quiser ler.

E agora, meu afago aos meus leitores queridos: amo vocês! Porque fazem bem ao meu ego, ao meu coração e à minha segunda-feira!!! E amo porque amo. Porque "amor foge a dicionários e a regulamentos vários" segundo meu amado e "gauche" Carlos!


Uma ótima semana a todos! Muitos beijos meus.




midi: amazing grace - Paul simon e Ladysmith Black Mambazo

Eu, hein?

Há tempos venho observando, pensando, observando e reconhecendo: o comportamento humano é mesmo previsível.
Algumas pessoas, incluindo eu, gostam de ser reconhecidas como imprevisíveis. E a gente até tenta ser. Mas no final das contas, somos todos moldados na mesma forma e por mais que tentemos nos desvencilhar de comportamentos apreendidos ao longo da vida, conseguimos muito menos do que gostaríamos.
Uma menina blogueira, a Esyath, me chamou de literata. Morro de felicidade, mas sei que a denominação fica por conta do carinho dela. Mas ela também disse algo que me deixou pensando, observando, pensando e concluindo. Isso mesmo: fiquei toda gerúndio! Segundo ela, meu blog é muito badalado. Perdoando-a por ter trocado o tempo passado pelo presente do verbo, concluo que ser ou não badalada na vida blogueira depende menos da minha competência e mais da constância da minha presença. É até possível que eu e muitas outras pessoas sejamos competentes e presentes. Mas se formos apenas competentes, teremos alguns bons e fiéis leitores. E só. Sem as festivas badaladas de sinos diuturnos! Porque tais badaladas exigem o compromisso do bate-ponto. Tem coisa mais chata que prazer virar compromisso?
Conclusão óbvia: movemo-nos todos pelo estímulo da recompensa. Eu dou. Mas espero ganhar. Se não há a promessa de ganhos, nem sempre estou disposta a dar. (Por que será que isso me lembra aquele experimento com ratinhos de laboratório?)
Quer comportamento mais convencional que este? Eu garanto que ele é um dos comportamentos mais democráticos que já observei no ser humano. Faz parte de pobres, ricos, letrados, iletrados, jovens, não-jovens, etc. E é comum até mesmo àqueles que se dizem imprevisíveis!
Quem sou eu para dizer que estou além (ou aquém) da previsibilidade humana? Ou deveria dizer “do modelo convencional humano”?

Memes

Sou anti-memes. O que pode também significar que sou uma chata, ou uma metida, ou uma anti-social. Fico agradecidíssima por ter tanta gente se lembrando de mim, me presenteando. E fico também orgulhosa por tudo isso. Mas sou péssima para passar os (ou seriam as) memes para frente. Isso implicaria em ter que indicar e ir aos blogs indicados para avisar que indiquei. Como não faço isso, minhas indicações perder-se-iam (putz! cuidado gramáticos!) nos ares bloguísticos.
Então, continuo gostando de receber os mimos, mas sem passá-los para frente. Não briguem comigo. Apesar de chata, sou boa gente!

Outro tipo de meme

Outro dia o Cássio Amaral, meu brotherzinho de Araxá, me indicou para uma experiência interessante. Gostei tanto que vou passá-la para todos que quiserem. Ei-la:
Estenda a mão e pegue o primeiro livro que estiver ao seu alcance. Primeiro mesmo – não vale escolher. Abra-o na página 161, vá à 5ª frase (também não vale escolher outra página ou outra frase), retire-a do texto e publique-a. Pense nela se quiser. Se quiser, use-a também como inspiração para um texto novo. Ou não faça nada, apenas destaque a frase e indique 5 outros blogueiros para fazer o mesmo.
Fiz isso com o livro A rosa do povo de Carlos Drummond de Andrade. Adoro este livro. Adoro a postura política assumida pelo poeta em vários poemas. E foi num deles que abri o livro. E foi esta a quinta frase-estrofe:
Meus olhos são pequenos para ver
o transporte de caixas de comida,
de roupas, de remédios, de bandagens
para um porto da Itália onde se morre.



Com Drummond, despeço-me. Obrigada pela atenção e pela paciência.
Beijo-beijo-beijo.
Te vejo por aí!



midi: folhetim

*Paz!

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket






* Blogagem Coletiva sugerida por Lino Resende



Outros olhares sobre a Paz:

Esyath Barret:

minha amiga, eu até ousaria afirmar que a paz comea a ser construída em nossas próprias alamedas interiores.
Paz não se ganha, nem se conquista, se constrói.
Paz ao mundo neste feriado e em todos os minutos de nossas vidas.

Clarice Ge:

A meu ver,
a melhor maneira de pregar a paz
é exercitá-la.
Ser um bom filho.
Ser um bom pai.
Ser um bom irmão.
Ser um bom amigo.
Ser um bom vizinho.
Ser um bom cidadão.
Respeitar a água.
Respeitar o ar.
Respeitar os animais.
Respeitar ao próximo.
Respeitar a natureza.
A meu ver,
a melhor maneira de difundir a paz
é exercitá-la.
Ser um bom Ser.

lu (terceira):

respeitar as diferenças, em todos os sentidos, é o melhor caminho para a paz!

Juliana:

a PAZ é de dentro pra fora.
é essencial.

Fernanda:

Realmente, só poderemos reclamar paz dos governantes quando nós também a praticarmos. Como viver num mundo de paz, quando não temos paz interior? É aí que tudo começa...

Fábio Max:

"Ser um bom ser"
Isso praticamente define o conceito de paz!

Jota Effe Esse:

A paz é possível, DESARME-SE!!!!!!!!!

Erly:

Só é possível construir a paz com o amor, porque só o amor é real. É o amor que te carrega de paz quando uma criança te observa, quando se observa a beleza do por do sol, a beleza nas coisas. Porque o amor é um raio de energia que vai para todas as direções e irradia pacificando tudo.

Caruco:

Eita, como é chato admitir que não há como haver paz! Num contexto suburbano, ou seria provinciano, ou seja, de vizinho, de colegas de trabalho, de colegas de escola, de menino negro pra menino branco ou vice versa, até que ainda vai. Mas quando a coisa começa a ir mais lá pra cima, meu amigo, onde envolve comércio, território, nação, dinheiro... haha... aí a utopia é outra. Paz e dinheiro (poder) não andam juntos.

João Bosco:

Concordo com o caruco.


Beijos e Paz para todos!


Poetando

elos

essenciais
não são as rimas
nem a métrica
dos olhos

essenciais
são os elos
que tecidos à maneira de teia
juntam sentidos e sentimentos
e fazem beijar-se
os diferentes olhares



(poema de apresentação do livro de blogueiros Elos)



Poetando junto:

Esyath Barret:


"Não necessito de rimas,
não rimo necessidades.
Apenas sinto.
E poetizo cada elo sentido."


* * *


Proseando

Segunda-feira tem gosto de árvore desfolhada. A sensação é que um vendaval de preguiça varreu tudo: dos pés (agora sem gesso) ao último fio de cabelo.

Neste fim de semana, terminei a leitura de A cartuxa de parma, de Stendhal. É um dos melhores livros que já li. Vale a pena perder-se no amor impossível de Fabrício e Clélia, na relação (lembrada por QB) incestuosamente enternecedora (que diabo de adjetivo é este!!!!) de Fabrício e Gina. Tudo isso tecido num belo romance psicológico. Além de contextualizar perfeitamente as tramas e dramas do jovem na Itália de pós-Napoleão, Stendhal faz uma bela e profunda crítica à Restauração e ao naufrágio dos ideais da Revolução Francesa. Confira!

A edição dos livros de blogueiros está de velas soltas. Se eu não perder o rumo, chegaremos ao porto de alguma editora até o dia 10 de novembro. O que significa que os livros serão presente de natal para mim!

Chega! Uma semana linda para você. Com azuis e amor!



Midi: Kenny G - Forever in love

O pulo da gata

O mundo continuava gotejante. Suas roupas também. Tirou os sapatos pensando no emaranhado em que se transformara sua cabeça: cabelos e pensamentos encharcados. A chuva fora tão inesperada quanto inesperada estava sendo sua reação. Deveria estar irritada. Fora uma grande produção pensando no ditado: o que fica é a primeira impressão. Mas estava aliviada. A chuva lavou seu senso de obediência às convenções. Ou talvez o alívio fosse de outra ordem. Ele a olharia e a dispensaria. E a culpa seria da chuva.
Entrou no shopping dividida entre vontade e necessidade. Foi direto para o banheiro. Torceu os cabelos, ajeitou as roupas e saiu sentindo os pés escorregando dentro dos sapatos. Exatamente como vinha se sentindo ultimamente: escorregando na vida. Olhou o movimento à sua volta. Ali dentro era um mundo à parte. Nenhum sinal da chuva que enchia as ruas lá fora, nenhum sinal de emoção em ebulição no rosto das muitas pessoas que iam e vinham. De tempestade, só suas emoções borbulhando insegurança. Tirou da bolsa a foto em cinza e preto, pensando na tinta da impressora que acabara. Seria possível reconhecer alguém através daqueles borrões? Tomara que não. Balançando os cabelos molhados, foi direto à praça de alimentação. Parou no lado oposto da única mesa onde havia um homem grande e de terno.
O primeiro olhar dele foi de indiferença. O segundo, uma surpresa hesitante. O terceiro virou uma sonora gargalhada que logo em seguida transformou-se em desculpas gentis. Levantou-se e puxou-lhe a cadeira. O riso continuou no olhar, colocando fogo no rosto dela e um gemido de expectativa em suas entranhas.
Duas horas depois estava ela novamente na chuva. Desta vez, com a certeza de que a faculdade estava garantida até o final do ano. O lugar era seu. A partir do dia seguinte seria acompanhante oficial de um executivo italiano. E que se danasse o sonho idiota de apenas se deitar por amor. Amor a gente inventa.


* * *


Um fim de semana estrelado! E beijo meu.



midi: mais uma vez - renato russo

Vida eterna ao deus Eros!

O Ricardo Rayol escreveu assim:

Na densa mata
noite amante, cúmplice
contorcendo-se nas folhas,
sensual leito,
dois animais em transe.

Sobre meu corpo,
firma seus quadris,
penetro, reto,
aríete de carne e sangue.

Cavalga em disparada
sufoca os gemidos
uiva, em desesperado gozo,
loba no cio.


Eu, a musa abusada, respondo:

ao homem que se entrega
dou fonte
fogo
fome

(no desatino das carnes
a morte se explica:
sou a arma
ele, o tiro)

e nos esvaímos
em prazer
antes mesmo que acabe o cio

* * *

E você, o que diz?

a epígrafe que vem pós:

Perdes-te comigo
Porque o mundo é um momento
Pedro Abrunhosa
E tem gente dizendo, ó:

Diovvani Mendonça:

MINHA MUSA NA CLAVE DE SOL

Inspiração
derrama nos meus olhos
um cacho de estrelas
um facho de lua
um riacho de trovas
frases de um poema
tupi-guarani
canto indígena
canto de araponga
bem–te-vi na beira do rio
acenando pra mim
desenhando n’água
colcheias semibreves
da canção que ainda vou compor.

Inspiração
me deixa ver
a melodia que guardas em segredo
na partitura do teu corpo
quero saber o que diz
a letra do canto do sabia
e assim
na mágica do instante
te engravidar
e depois de nove luas
te deitar nua
no colo do violão
fazer o teu parto
deixar no ar um acorde
para ser o berço
de nossa filha
nossa música.

(pra musa da adolescência!!!)

Marcio Hachmann:

Digo apenas: nasci voyeur sem culpa, nem medo.

Zumbi:

musa abusada
não se abusa
rasga-lhe a blusa

depois usa
suas carnes
com o tempero do cio


midi: momento - abrunhosa

emoções

Eu queria fotografar o meu emocional. Fazer uma série de fotos durante 24 horas. Talvez assim eu pudesse me entender. Não tendo esta prodigiosa máquina de fotografar emoções, uso a escrita para libertar sentimentos e organizar pensamentos.

Estou na fase Brincando com a Poesia. E na fase Eros! Não sei de onde surgiu, mas estou. Paralelamente, estou me sentindo cheia de amor. Amor aos meus amores, amor aos que me amam.

Amor ao poeta que esteve longe e deixou inexplicáveis saudades doendo na carne.

(poeta,
se tua ausência
me enredou na saudade
bastou o instante
de um grito teu
e novamente te amo

bastante)


Amor ao sempre presente Guanais-poeta, dos versos que me amam:

comentário
( sobre o livro solo da loba - ainda no prelo - )

se você
leitor(a)
ainda
não tem

invente
uma
ou mais
ou perca

o melhor
do melhor
só lendo
pra ver

o reflexo
da alma
nela
mesma.

Amor a um, dois, três, múltiplos poetas que me fazem musa sem saber que existo. Amor ao não-poeta que faz poesia nas minhas vontades. Amor aos mineiros, poesia das montanhas, aos cariocas que têm pó de pirlimpimpim, aos paulistas sempre no vai-e-vem, aos potiguares, pernambucanos, paraibanos, piauenses, bahianos (Fábio, cadê vc?), maranhenses, paraenses, paranaenses, candangos, pantaneiros, gaúchos - enfim, brasileiros de norte a sul, portugueses, portunhóis e galegos que a net uniu e nenhum homem separa!

Amor a você, que pacientemente me lê:


(leitor,
se existe meu texto
é por conta do teu eco
(telecinérgico)
que faz revoada
nas pontas
dos meus dedos)


E porque o post ficou enorme, despeço-me (quase envergonhada). Com amor. E com beijos.




PS. até bem pouco tempo atrás o meu preconceito impedia que eu descobrisse a poesia de Roberto Carlos. Mas (há sempre um mas...) um dia o poeta Linaldo (que eu respeito pra caramba) abriu meus olhos (e me vi preconceituosíssima) com a letra de Cavalgada. Desde então me rendi. Há um RC que eu não conhecia e que merece respeito pela sua poesia! Então deixo vocês com Roberto na voz de Betânia.

poetando

não quero palavras

quero o gosto
de versos
presos na garganta
e nas pontas dos dedos
a poesia
modelando as gotas
do meu suor

não quero palavras
quero o artífice do poema

* * *

poetando junto

Rafaela Silva Santos:

"Não quero palavras
As quero encarnadas
Em corpo, forma e movimento
Quero passos, quero olhares
Teu abraço perseguindo meus passos
Porque amar é mais alma
Que entendimento
É mais sentir"

* * *

ótima semana a todos. beijos meus em quem quiser.


midi: me chama - marina lima

elos

“É meu interior que fala às vezes sem nexo para a consciência”
Clarice Lispector

Sempre fui dada a paixões indizíveis. Inexplicáveis. Apaixonei-me perdidamente por Peter Pan (ou pelo pó de pirlimpimpim). Depois, vários outros personagens assediaram a minha mente, o meu coração e os meus diários. Voei com Ícaro, perdi-me na beleza apolínea, amei Raskolnikov, abusei de Bentinho, me tornei amante de Oliver e vivi muitas outras transgressões imaginárias. Depois vieram os personagens que eu própria criei. Sempre tortos, heróis às avessas. Foi a fase das trevas iluminadas pelos ideais. Os marginalizados, os proscritos, os rebeldes. Eu me vendo neles e vivendo com eles. Enfim, vieram os normais. Descobri que a normalidade tinha mais de anormal do que eu poderia supor. E voltei a ser livre para amar como e quantos o coração desse conta.
Continuo me apaixonando inexoravelmente. Por amigos que não conheço, por poetas que nunca vi, por palavras que voam ao vento. Apaixono-me por letras, por sentimentos, pela presença, pelo carinho, por retas e curvas. Apaixono-me também por meninos rebeldes, meninas perdidas, mocinhas e bandidos, zumbis e vampiros. Pelo tudo e pelo nada. Pelo palpável e pelo inalcançável. Por mim em mim e por mim no outro.
E de laços e nós vou me completando. E se perco um, sinto-me perdendo um pedaço da carne. Se um amigo se vai, deixa uma ferida difícil de cicatrizar. E a dor chama-se saudade. Se volta, viro prazer. E a saudade faz festa de despedida.
Penso que estes elos, na sua completa inexplicabilidade, é que estimulam o meu viver. Estou exposta a eles e deles tiro o alimento que me renova diariamente. Sou parte de um coletivo e sem ele eu não existo. Nele me fecundo e floresço ser. Bicho ou gente. Mas que sente.


Se alguém, ao ler este texto, ficou com a impressão de déjà vu e agora está incomodado por achar que cometi o pecado do plágio, sossegue. Se plagiei, foi a loba de algum tempo atrás. É que este texto me parece tão atual que resolvi reescrevê-lo, com mínimas modificações. Também porque ando de namoro firme com os muitos projetos que estou abraçando – entre eles, a organização de três livros que estão ficando maravilhosos - portanto, sem tempo para cuidar do blog e dos amigos. Mas continuo apaixonada por vocês. Todos vocês!


Beijos! Muitos e todos!


Eu, poeta

gelo & sal *

se a mente
caminha burguesa
por dormentes quebrados

se a alma
hiberna platônica
entre o gelo e o sal

se o corpo
esconde desejos
em cólicas oblíquas

a vida
vira exposição de motivos
e suicida fervorosa

na
harmonia

do medo




*Poema do livro que estou gestando carinhosamente, com a juda de maravilhosos e amigos poetas, e que está sendo comentado AQUI!


* * *


um dedinho de prosa


Estou conectada 24 horas! Nem acredito! Depois de um ano inteiro sem internet no trabalho, posso me dar ao luxo de postar às duas da tarde. Parece besteira? Mas não é! Estar sem internet nos dias atuais é como voltar à idade do gelo - eu estava me sentindo de espírito quase congelado!

Então agora estou no ar. Com uma grande e séria restrição de uso - afinal, preciso ganhar o pão de cada dia - mas feliz por ter a oportunidade de fugir - literalmente - da rotina de conhecimentos de fretes, caminhões e caminhoneiros!


Um grande beijo, flores e azuis para você!



Midi: Pink Floyd

surto poético

profissão: musa

queima
todos os dias
nas fagulhas
dos desejos
que provoca
no poeta

e dorme
todos os sonos
com os açoites
da paixão
que nunca sai
do poema

* * *

(ai, como sofre uma musa!!! quase tanto quanto uma aspirante a editora! e eu continuo querendo me matar de sofrer!)


Coletâneas de Blogueiros: encerradas as inscrições. Agora começa minha peregrinação pelas editoras. Sem promessas, mas espero que os dois livros fiquem prontos antes do natal!
Quem se inscreveu e ainda não mandou o material: tenha dó de uma futura editora!!!!

Pão & Poesia: meu amigo-poeta-empreendedor Dio está a mil. Além das várias entrevistas que anda dando para rádios e jornais da nossa amada terrinha das gerais, está fazendo parcerias interessantíssimas. E eu, sua fiel-escudeira-virtual, aplaudindo e torcendo para que a poesia injete beleza nos cenários encardidos da vida real.

E chega! Beijos e beijos.


midi: lay lady lay - bob dylan

Proseando com Mel e Cherry

Li, e gostei de ler, os manuais de uso (para homens) da Madalena Mel e da Amanda. E fiquei pensando: há outras versões! Não comentei, porque meu comentário seria uma das tais outras versões. Mas dormiu comigo a vontade de soltar o verbo. Na minha visão, é claro.
Nós três (Melzinha, Cherry e eu) já fomos parceiras de algumas surubas. Somos diferentes – em idade, vivências e aparência – e somos parecidas – quando se trata de nos jogarmos de cabeça em algo que gostamos. E gostamos de sexo. De falar, de escrever e, principalmente, de compartilhar. Portanto, nossas surubas sempre foram muito interessantes. Se alguém está aí imaginando três mulheres rolando numa cama, engana-se. A gente rola sim, mas em camas diferentes. Juntas, somos as três mosqueteiras em defesa da quebra dos bons costumes – no que se refere à visão masculina de uma mulher na cama.
Mas voltando aos manuais – se você não leu, saiba: é leitura obrigatória. Aqui, é apenas comentário sobre. Portanto, não vou me estender com uma versão feminista (às vezes, sou mesmo ferrenhamente feminista) ou com uma longa exposição dos motivos que me levam a acreditar que ganhei várias vezes na loteria. Vou apenas resumir o que as duas disseram.
Homens, atenção: não procurem o ponto G numa mulher! O ponto G é a sua sensibilidade. É sua condição de habitar o universo feminino como parceiro, não apenas como macho.
É sua condição de tornar-se complemento e ser complementado.
E tenho dito! (ai, como isso ficou autoritário!!!)



Mudando de assunto: nosso livro está ficando ma-ra-vi-lho-so! E olha que ainda nem terminaram as inscrições!!!

Pra vc que está chegando agora:

comece sentindo-se à vontade! Depois, leia um pouco mais.

Sobre Pão & Poesia e sobre Coletânea de Blogueiros. Sinta-se convidado(a) para ambos os projetos.



Ótimos dias pra todos. Beijos pra quem quiser!



midi: nada por mim - marina lima

Fato ou Ficção?

Por amor

Ela tinha duas Asas. Ele, um Astra. Ela transbordava pétalas. Ele guardava sementes do futuro. Ela se despojava de roupas, de pele, de sentimentos. Ele apertava o nó da gravata. Ela voava. Ele contornava as pedras do caminho.
Um dia ele chutou as pedras. Ela, o caminho.


* * *

Por paixão

O contito pode ser uma ficção. Esta história não. É a história de quem tem paixão por letras. Um grupo que está se fazendo em torno de um objetivo: publicar um livro.
Quem disse que seriam apenas 30 os autores? Já somos mais e continuamos crescendo. Então, serão dois livros. Duas coletâneas de autores blogueiros. Dizem que o que é bom deve ser multiplicado. Então venha nesta. Entre aqui e leia as informações: Coletânea de Blogueiros.
Dizem que amor move montanhas. Digo que paixão cria montanhas... de realizações.


Grande beijo a todos!

PS. Se você ainda não conhece o projeto Pão & Poesia, leia AQUI. Se conhece, mas ainda não se decidiu pela participação, leia de novo. E entre nesta!!!


midi: I love my man - billie holiday

Ai, que sina!

Interrompo o festival de apetites (que pena!) para contar da minha sina.
Minha gente, torcer ou quebrar o pé é minha sina. Perdi a conta das vezes em que estive com um dos pés em bota de gesso ou metros de faixa. Até passei a ser mais cuidadosa com as pedras do caminho. Mas sina é sina e cá estou novamente com uma bota no pé. E como se não bastasse, escoriações nos braços e um belo hematoma na região glútea (antigamente eu escreveria bunda!).
Já deu para adivinhar o que me aconteceu? Nada trágico. Ao contrário, uma ridícula cena de cair como jaca madura. (Tempos atrás eu me compararia a uma laranja. Os tempos mudaram, estou cinco quilos mais fofinha. Eu é que não vou me imaginar como uma laranja se equilibrando lá no alto do galho e esborrachando no chão por estar madura demais!!!) Cair em plena rua sem uma razão aparente é um duro golpe na timidez exaustivamente mascarada. A gente não sabe se ri, se chora ou se pede ao chão que engula a vergonha. Pior é quando várias pessoas, solícitas, tentam nos ajudar. A vontade é mandar todo mundo praquele lugar - não fosse o verniz da civilização que nos faz agradecer amareladamente. Um tombo deveria ser invisível ou a gente deveria ter o pó de pirlimpimpim para momentos como este!
Agora, pensando no meu tombo, me pergunto onde foi que meus pés erraram. Que meus olhos andam vendo estrelas, a cabeça plantada nas nuvens e o apetite pedindo cafas, não é novidade. Mas os pés? Estes têm a obrigação de reconhecer o chão. E não os perdôo por querer fazer poesia em pleno asfalto. Pés poeta, onde já se viu? Enfim, a fome voraz, aguçada pela Cherry, vai estar em stand by. Vinte e um dias engessada só não destruirão a minha firme determinação de trabalhar - por obrigação, óbvio!
Mas se em tudo há o lado bom, já estou recebendo o troco. Em moedas miúdas, mas nada que não possa ser levado em consideração. Meus caminhoneiros estão brigando entre si para me ajudar a subir a rampa. Quem diria? Dias atrás eu poderia jurar que eles torciam para que eu rolasse lá de cima. Para perder a pose e, se possível, para verem um pouco além dos meus joelhos (ando comportadíssima!). Mas quem consegue manter pose de executiva com o pé quebrado? Quanto às coxas e pernas, sorte minha que o acúmulo de gorduras está apenas nos pneuzinhos - porque não vou pagar mico de subir a rampa segurando a saia!
Que monte de besteiras. Alguém merece ler isso?
Acabou. De pé ou sem pé, preciso trabalhar. E preciso arrumar tempo para ler vocês! Ah... e para pescar poesia e para cooptar companheiros na nova viagem de corpo e alma.
E por falar nisso:
Quem estiver interessado em participar do novo livro, corra e leia as informações:

Coletânea de Blogueiros

Duas coisas ainda:
Não se esqueçam de participar do Pão & Poesia!!!!
Pra não dizer que estou de todo afastada da dona Poesia, vejam-me como musa do poeta Guanais no Blocos on line. (Um dia ainda vou estourar de tanto narcisismo!!!)

Um beijo e até!

midi: encostar na tua - ana carolina

porque a Cherry aguçou meu apetite

quero um cafajeste

um cafajeste
que devasse pelos olhos
meus segredos
e aguce em meu desejo
os tremores
de uma febre terçã

um cafajeste
que rabisque desvarios
em minha pele
e faça de seu corpo
os sujeitos
da minha inundação

quero um cafajeste
(bem cafa)
que seja apetite
da minha carne
e seja carne
em minha fome

porque alguns homens
a gente ama
outros
a gente come


com o mesmo apetite

Crys:

Minha alma de poeta é leviana
Quer ser amada com loucura
Quer despertar em ti
O ser cafajeste que se esconde
Senti o sabor do teu ciúme
O calor de tuas emoções.
Mas tu foges...!
Penso tê-lo esquecido.
E invade-me novamente
Provocado-me a sede de te amar.
Isso, derruba parte de minha resistência!

Esyath:

"Cafa quem és tu?
Jeste por quê logo tu?
Por quem me tomas?
Por uma vítima leviana?
Levi de levemente insana.
Ana como tantas Marianas.
Meu autocontrole se foi,
quando vieste me roubar
o discernimento,
não o encontraste logo ali?
Querido Cafajeste,
continuo sendo dominada,
mas aproveitando cada instante
desta tortura cafajestal"


* * *

Então, voltemos aos convites:
Leia aqui sobre Pão & Poesia
e aqui sobre o novo livro de blogueiros: Coletânea de Blogueiros


E nada mais tendo a dizer (o poema hoje concentrou todas as minhas bobices!), te beijo.
Ao som de The Doors in Light my fire (quem resiste a um convite deste????)

de livro e lua

Vou aproveitar meu momentâneo sucesso de visitas (na maior cara de pau, convidei a todos por e-mail ) para interromper o post sobre Pão & Poesia (quem não leu faça o favor de descer ao post anterior). A motivação é boa. Quero fazer um convite - mais um (voltei cheia de energia, percebeu?) (e cheia de parênteses!!!)

É o seguinte: estou a fim de entrar em mais uma aventura: fazer outro livro de blogueiros. Desta vez, com o que me ensinou a experiência anterior, sem grandes pretensões. Nada de grandes tiragens. Só grandes emoções, grandes participações e um gostoso vôo de muitas asas!

Então, fique sabendo: você está convidado a participar do segundo livro coletivo, saído direto dos blogs! Se estiver interessado, entre em contato comigo: lobamulher@uol.com.br.

(ainda vou falar muito sobre isso. me aguarde!)



Outra coisa: a lua está linda! Isso sim é um belo convite à poesia! Seguindo minha mais nova decisão de não fazer literatura, mas sem condições de segurar o bichinho do poema, deixo você com as

promessas da lua

a lua cheia
derramou-se em minha cama
e a nudez de alma
expandiu-se nos lençóis

aconteceu:
o desejo dele
explodiu em mim

jurei-lhe eternidade
e escorri-lhe suculenta
pelos cantos da boca

agora
viro e desviro o ontem
na busca
do que prometi

o que faço
com os olhos que prendi?



Acabou não!

Se você não leu o post anterior, corra lá. Demora (estou prolixa), mas vale a pena!

Beijos enluarados!!!!

Midi: a lua e eu

Pão & Poesia

Existe uma velha teoria de que o povo gosta de qualquer coisa. Teoria cretina. Já está provado que o gostar de um povo está diretamente ligado às oportunidades que lhe são oferecidas. Talvez interesse a algumas classes obliterar o espírito crítico e a capacidade contestadora do povo, oferecendo-lhe oportunidades reduzidas de conhecimento e cultura, como bem fazia César, imperador romano, com sua política de "pão e circo". Mas existem outras classes interessadas em oferecer mais do que fogo fátuo. E é de uma destas classes, especificamente, que quero falar. A classe dos poetas, aqueles que acreditam que pode se fazer a revolução através do conhecimento, da cultura, da Poesia.
Há alguns meses, um destes poetas resolveu ir um pouco além desta crença. Arregaçou as mangas e saiu em busca de reverter a expressão romana "panis et circencis" - e não apenas porque é uma alusão preconceituosa em relação à bela arte do circo. Que o pão é nosso alimento básico já está comprovado. Mas o poeta quis também provar que na diversão pode se incluir conhecimento, contestação, ativismo e cultura. Diovvani Mendonça, o poeta do "Poeminhas para matar o tempo e distrair dor de dente", fez-se presente no seu tempo e levando a sério sua crença de que é preciso "dar uma injeção de poesia nas artérias da realidade", associou-se à MIXPAN Industria e Comércio e colocou a Poesia na mesa do café da manhã da população de uma grande cidade mineira chamada Contagem. O projeto é maravilhosamente inovador. Trata-se de entregar o pão embalado em Poesia. E assim, uma população inteira está começando o dia com alimento para o corpo e para o espírito.
Mas Diovvani, o nosso poeta inovador, não quer apenas divulgar a Poesia. Quer também, e principalmente, divulgar a poesia que se faz à margem das grandes editoras e dos meios de comunicação de massa. Para dar sustentação ao projeto, convidou alguns poetas novos para criar o grupo. Um grupo, no qual orgulhosamente me incluo, formado por poetas blogueiros que se encarregam de multiplicar a idéia. E a idéia é ampliar o número de poetas e poemas, divulgando o projeto e convidando a todos para dele participar.
Neste momento o meu convite é:
- divulgue, por todos os meios que estiver ao seu alcance, o Blog Pão & Poesia e contribua para inserir a Poesia no hábito de leitura da nossa população
- envie o seu poema para o e-mail pao.poesia@yahoo.com.br e participe efetivamente da "injeção de poesia na realidade" do dia a dia de pessoas comuns
- multiplique a idéia, criando também em sua comunidade uma associação que possa diminuir a distância entre povo e cultura

Então, estamos combinados. A partir de agora contaremos com a sua colaboração - participando, divulgando, multiplicando o Pão & Poesia! Para outras informações, entre em contato pelo e-mail: pao.poesia@yahoo.com.br

Ainda: Pensa que as inovações do poeta Diovvani param por aqui? O moço é um furacão! Está envolvido em vários outros projetos inovadores e todos ligados à literatura. Me aguarde. Daqui a pouco volto com mais novidades deste empreendedor da palavra!


volta e meia

Vou te contar:

1.
Cansei de sofrer. Chega de tentar fazer literatura. Credo, o parto é dificil demais e estou com paciência de menos para ficar escrevendo, lendo, deletando, escrevendo de novo. Tudo isso para no final parir um texto razoável - destes textos que deixam pairando sobre a gente o substantivo mediocridade. E não pense que estou querendo elogios. Medíocre é médio e estar na média, embora não vá me satisfazer nunca, é melhor que ser sofrível. Sei que você é meu amigo e quer me ver com a estima alta. Mas se existe algo que tenho de sobra é autocrítica e senso quase bom. E como se não bastassem as minhas próprias cobranças, tenho ainda a constatação: já participei de vários concursos literários e nunca ganhei nenhum. Sou sempre pré-selecionada, mas só fico na bendita média.
Então, o combinado é o seguinte: daqui para frente, volto a ser a escrevinhadora de blog que sempre fui. Nada de surtos literários nem preocupações com linguagem e forma. Meu blog vira o diário que sempre foi e pronto. E a forma de me comunicar com você continua sendo em verso ou prosa, mas sem pretensões literárias.

2.
Para fechar o ciclo pseudo-literário em que estive, resolvi publicar um livro. Mais por insistência de alguns queridos amigos, em especial um certo poeta, do que por vontade própria. E porque o certo poeta insistiu, dei-lhe o trabalho duro. Está selecionando o que tenho de melhor e que vale a pena ser publicado. Portanto, muito em breve o cenário livresco nacional ganhará mais um livrinho de pequena tiragem.

3.
Eu me importo muito com as interpretações que meus textos possam provocar. Gosto quando elas são diversificadas. E gosto quando sou elogiada. Sou narcisista, adoro ser paparicada e não nego. Antes, eu me orgulhava de ser sedutora, gostosa, coisa e tal. Hoje, quero ser interessante, divertida, etc. Não porque tenha evoluido, mas porque o tempo é amigo do bom senso e a lei da gravidade um fato indiscutíivel. Então, é preciso mudar os adjetivos, sob pena de cair no ridículo. Mas, no texto passado, ser elogiada não foi um dos objetivos. Quando eu disse que não era lida como gostaria, quis dizer o seguinte: quero ter o meu texto desconstruído. Inteiramente. Não importa como cada um lê o que eu escrevo. Importa que eu tenha provocado alguma reação. E se esta reação é coerente com a minha intenção, ponto para mim. Se não é, ponto maior ainda. Sinal que consegui provocar outras leituras.

4.
Se meu blog não é nem pretende ser uma página literária, posso fazer dele também um canal de informações literárias. É o que farei, no próximo post.

5.
Para terminar, eu poderia colar aqui o comentário do Fábio ( te adoro, viu?) - no que diz respeito à leitura. Concordo inteiramente. Fui uma educadora anarquista, sou uma leitora anarquista. E serei uma escrevinhadora de qualquer coisa (leia: abobrinhas enfeitadas e às vezes enigmáticas). Importante mesmo é que você, leitor ou leitora, continue me desconstruindo para que eu possa me reconstruir. Sempre.

6.
E agora, de volta às origens, um beijo de loba. Agradecido e cheirando a vermelhice.



Ler e escrever: transformação

Dizem que escrever é uma arte. Pode ser. Para mim é um desafio que se renova a cada manhã. Porque quero escrever e ser lida. Lida por leitores que têm à sua disposição grandes mestres da literatura e vivem num tempo em que a comunicação ganha agilidade com a tecnologia e onde imagens substituem letras.
Sempre adorei escrever. Tenho para mim que nasci escrevendo, tal é a necessidade que tenho de juntar letras. O que já escrevi nesta vida daria para editar uma estante cheia de livros – se quantidade fosse qualidade, é claro. Pois bem, descobri que, por melhor que eu escreva, nunca serei lida como quero. E não é porque eu escreva tão mal assim. É porque tem uma doença grave e crônica no brasileiro que impede que eu seja lida. Doença esta que é combatida por mim, educadora, mas que vive também em mim, leitora. Preguiça! Isso mesmo, temos preguiça de ler.
Quando eu era professora de ensino fundamental, vivia brigando com minha criatividade para criar o hábito de leitura nos meus alunos. E por mais que eu criasse motivações, a leitura deles nunca alcançava o nível que eu achava satisfatório. Não desisti, mas também não consegui.
Um dia, lendo uma entrevista de Foucault ao Le Monde, comecei a entender esta relação escritor-leitor. E comecei a perceber, até mesmo em mim, a preguiça que todos temos de nos entregarmos a uma leitura. Esta preguiça não é privilégio do brasileiro, mas aqui ela parece ser imensurável - como alguns outros defeitos tão nossos conhecidos e tão inteiramente tupiniquins.
Comecei então a me preocupar mais com a minha escrita. Já não seria suficiente ter clareza, ter boa argumentação e abordar temas interessantes. Seria preciso levar em consideração a preguiça. Esta mesma preguiça que me fazia ler um texto em diagonal, perdendo muitas vezes a mensagem implícita e, de certa forma, desvalorizando o trabalho de quem escreveu. Seria preciso aprender a arte da síntese: escrever da forma mais interessante possível, com um menor número de letras possível.
Embora para muitos e importantes escritores não seja fundamental a opinião do leitor, a mim parece imprescindível ter uma mensagem escrita decodificada por quem me lê. Porque uma escrita, seja ela qual for, só tem sentido se alcança quem a lê. Passei então a escrever para o meu leitor, respeitando a sua preguiça, mas tentando criar nele a vontade de continuar lendo. É claro que nem sempre consigo. (Especialmente quando o que escrevo parece não ter interesse nem mesmo para mim.) Mas é preciso continuar tentando. Porque escrever e ler são atos que interagem entre si e é condição para o pensar, o crescer, o transformar.
Continuemos, pois, escrevendo, lendo, interagindo. E nos transformando através da escrita e da leitura.



* * *

Meus agradecimentos especiais a todos que me mandam e-mails, aos quais não estou respondendo. Agradecimentos também a quem está sempre por aqui. Amo vocês!

Um grande beijo e uma ótima semana a todos.

(PS. Ando tão desconectada de tempo que só agora - depois de visitar alguns blogs - estou percebendo que já é primavera. Será que não deveria estar proseando sobre flores e amores?)

Midi: La vie en rose - Edith Piaf

De volta ao passado

De repente, o convite veio a calhar.
Ando eu com uma bruta inveja de mim em outros tempos. A amiga blogueira Silêncios do coração e a querida Luma trazem o mote para uma volta ao que me interessa. O convite é para republicar um texto que foi interessante. Republico um amontoado de versos do tempo em que eu era loba erótica e fazer literatura ainda não era uma das minhas preocupações:


divina & profana

I

ardente
como pecado capital
grita em meu corpo
a louca vontade
de roubar os teus sonhos

e tatuar em teu corpo
meus desejos divinos


II

invado tua razão
e escrevo em tua crença:

o paraíso é logo aqui
onde começa
o meu cio


III

nem santa
nem puta

só dilacerada
pelo desejo de ser boca
na redenção de tua carne


(nem eu acredito que fiz isso há pouco mais de um ano. parece que já se passaram séculos!)


Um beijo vermelhinho com gosto de déjà vue


Brincando com a Poesia

Começo (sem brincar) com Cecília Meireles



"Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua"



pra dizer que estou na chuva e quero me molhar. Se a chuva for de poesia, tanto melhor para quem não perdeu a esperança de ser musa.

Então vamos brincar de poetar?




liberdade de amar

eu te amo
mas quero me declinar
da responsabilidade
de ser tua

quero me sentir
muito além da utilidade
que teu amor eternizou
no lado oposto da cama
quero me sonhar
para além das correntes
que consubstanciaram
tuas juras de amor

eu te amo
mas amo sobretudo
a liberdade
de esvaziar o quarto
limpar as paredes
e colocar na cama
a porção de silêncio
que trará de volta
a saudade de ti

eu te amo
mas amo ainda mais
a liberdade de te amar

* * *

Minha gente querida, andei prometendo o que não poderia cumprir. Ainda não consegui retomar o ritmo de blogueira. Não por falta de tempo ou de vontade. A falta é de alguma coisa que não sei o nome. Talvez eu tenha perdido o hábito de andar por tantos caminhos, por isso eles me parecem longos demais, difíceis demais, escuros demais. Mas sei também que vou conseguir acender minhas luzes. Então, me aguardem. Enquanto isso, continuem gostando de mim porque amo vocês. E vamos poetar!

Um beijo e carinho pra todos.



Toda mulher merece!


Após todos os movimentos feministas, a mulher ainda precisa carregar pedras para sobreviver. É fato que ela já pode se candidatar à maioria dos cargos – públicos ou privados. Já está também comprovada sua competência, seu senso de responsabilidade, sua criatividade e seu alto grau de empreendedorismo. Até já é aceita como parceira profissional dos antigos donos do poder - embora os homens ainda se calem quando ela entra em suas rodinhas. Embora, também, sejam sarcásticos e irônicos em várias situações cotidianas. E embora os salários tenham uma pequena diferença ainda não ultrapassada!
No âmbito profissional, parece que eles aprenderam. A maioria sente-se moderna: não gosta de feminismos nem machismos. São cavalheiros, mas sem paternalismos. São machos, mas sem ostentação. Tudo isso parece lindo, no âmbito profissional. Mas em casa, como são eles?
Existem algumas exceções, mas a regra é poderosa: sentem-se no dever de dividir as tarefas domésticas, mas numa proporção ainda muito pequena. Porque casa, comida, filhos e roupa lavada continua sendo uma responsabilidade feminina. Em casa, o olhar do homem difere quilômetros do olhar feminino. Se o homem chega e encontra uma revolução na ordem doméstica ele se senta e vai ver jornal. Afrouxa a gravata, joga-se no sofá e solenemente ignora até mesmo a algazarra que o faz aumentar o volume da televisão.
Após o jornal, passa pela cozinha e a lembrança do dever o faz perguntar: quer ajuda, querida? (como se fosse mesmo necessário perguntar!) Um olhar da mulher, entre feroz e resignado, e ele começa a recolher as tralhas espalhadas pelo chão. E sente-se ajudando. Pára por aí. O esforço de abaixar e levantar tirou-lhe a energia. É mais interessante ser pai – e lá se vai ele brincar de rolar no chão com as crianças.
A mulher, que chega junto e encontra a mesma situação, joga a bolsa sobre o sofá e começa sua rotina. Em pouco tempo a casa torna-se um lar confortável e as crianças, bem alimentadas, sorridentes, de dever feito e muito acarinhadas, vão para a cama. Ainda sobra tempo para um banho de chuveiro, uma boa olhada no espelho e um sonho a mais. O homem sente-se feliz com a paz reinante, feliz em ter uma esposa competente e a noite termina na cama. Ele cheio de energia, ela cheia de amor. Mas cansada.
Diante de tudo isso, que não é história para boi dormir, chego à seguinte conclusão: toda mulher merece ter também uma esposa!




PS. na hora de procurar uma midi, encontrei Cotidiano de Chico. Ouvi novamente com toda atenção. Esta letra me parece ter sido feita como uma crítica à mesmice cotidiana, onde é evidente o fastio masculino em relação à vida conjugal - vida que não se ajusta mais aos nossos tempos. Mas se trocarmos os papéis e as situações, a letra se encaixa na vida moderna. Claro, a voz enfastiada passa a ser a feminina!




Proseando

Quinta-feira, quatro da tarde.
O que pode haver de interessante numa quinta-feira às quatro da tarde? Alguém pode estar descobrindo ter ganhado na loteria. Outro alguém pode estar perdendo o chão ao receber um diagnóstico inesperado. Alguém pode estar subindo a rua sonhando com declarações de amor.
Não acredite, leitor, que seja eu uma destas pessoas. Para mim, esta quinta está sendo como todas as últimas. A calculadora me olhando, a tela do computador cheia de letras que meus desejos não reconhecem e minha consciência gritando que gastei na livraria muito mais do que deveria (ando pobre demais, lendo demais e sonhando de menos)
Mas às quatro da tarde de uma quinta é também tempo de perceber que meus cabelos estão excessivamente compridos, minha cabeça vazia de novas idéias e que ando brigando com uma louca vontade de criar uma máquina do tempo. O que faria você se pudesse entrar numa geringonça do professor pardal e voltar alguns passos no caminho? Será que deixou lá atrás algo que precisa ser terminado, mudado, reencontrado?
Agora acredite, leitor, se fosse eu a senhora do tempo não mudaria nada. Faria tudo novamente. Mas amaria mais, choraria mais, me perderia mais. E chutaria com força algumas pedras do caminho, sem medo de quebrar o pé. E são estas pedras que quero chutar agora e aprender a ciência de deslizar. Porque deslizar é encarar a vida sem pesos e descobrir que as pétalas murcharam para dar lugar às sementes.
Quinta-feira, cinco da tarde. Levei uma hora escorrendo entre a paisagem sempre igual e a falta de inspiração.













nova ordem

quando a vida
(que se supunha
porta de saída)
vira boca de túnel
e a luz
(que se supunha
feérica)
apaga o caminho
foge-se do real
foge-se do palpável
foge-se de si mesmo

mas os pés
um dia cobram
o chão

é quando
o olhar se alonga
e reconhece-se
(no outro lado do espelho)
não o eterno
nem o divino
mas o humano

então inicia-se
o imenso
e necessário trabalho
de crescer um pouco mais
e em cada movimento
não sabido
descobre-se
a veia que pulsa
rigorosamente viva

é tempo
de acordar o ar
ainda não respirado

e caminhar


* * *

Finalmente, de volta. Ainda tropeçante, mas com muita vontade de chegar no espaço de todos.
Agradeço muitíssimo pelo carinho e pela força. Um beijo e ótimos dias!



Midi: Wave - Daniel Jobim e Luiza Jobim

"Uma hora e mais outra"

"... a hora mais bela foi a mais triste, aquela em que mais precisaram da gente..."
QuincasB


Roubo de Drummond o título – sem a pretensão de roubar-lhe o talento – e de Quincas B a epígrafe, para dizer que estou tentando voltar. Outra vez com a vida virada de ponta-cabeça ( desconfio que eu seria muito mais competente, e certamente famosa, se tivesse escolhido ser uma malabarista de circo).
Estive muito doente. Melhorei. Mas sinto que nunca me curarei completamente. É o ônus de ter um filho em tudo parecido comigo, mas que lá na adolescência transformou-se em drogadicto. Desde então o fantasma da recaída nos ronda. Porque ela acontece. E quando acontece, como agora, toda a família adoece. É quando a gente descobre forças onde nem imagina existir. E recomeça. Seja de que ponto for, seja em que estágio estiver a doença. Sempre olhando para frente, na certeza de que nossas tragédias particulares, embora enormes e quase paralisantes, são ínfimas se comparadas aos sentimentos do mundo (de novo, Drummond).
Então, se não me curarei desta doença – seja ela uma simbiose, homeostase ou simplesmente medo, também não me submeto a ela. Portanto, estou em constante recomeçar. E neste recomeçar, ler tem uma importância capital. Li muito nestes dias em que estive equilibrando auroras e crepúsculos. Li Stendhal, li Borges, li Guimarães Rosa, li Manoel de Barros. E, principalmente, li Drummond, Leminski e Clarice – nem preciso dizer que este é meu trio preferido!
E li blogs. Muitos. Mas, apesar das minhas tentativas, a palavra não se fez minha: não consegui me fazer presente por onde andei. E escrevi muito também. Escrever é minha catarse. A forma de buscar o equilíbrio, a racionalidade quando tudo é emoção. Apesar de ter escrito muito, opto pela não publicação aqui até que consiga voltar a ser uma blogueira. Porque ser blogueira implica em estabelecer comunicação direta, implica em trocas, implica em acréscimos. Neste momento tenho pouco a acrescentar, embora muito a receber.
Mas sinto que não demorarei a voltar. E enquanto durar a ausência, fiquem com as palavras de quem sempre soube tê-las. Como dele já roubei o título, deixo trechos do poema. E aproveito para agradecer o carinho, a presença, a solidariedade de amigos que nunca vi, mas sempre amarei.

Trechos de “Uma hora e mais outra”
Livro A rosa do povo
De Carlos Drummond de Andrade

...

Amigo, não sabes
que existe amanhã?
...
Exato, amanhã
será outro dia.
Para ele viajas.
Vamos para ele.
Venceste o desgosto,
calcaste o indivíduo,
já teu passo avança
em terra diversa.
Teu passo, outros passos
ao lado do teu.
...
Tantos: grossos, brancos,
negros, rubros pés,
tortos ou lanhados,
fracos, retumbantes,
gravam no chão mole
marcas para sempre:
pois a hora mais bela
surge da mais triste

Há mais de uma semana não consigo comentar os blogs que leio, apesar das tentativas de visita que tenho feito. Minha rosa-dos-ventos está desvairada e perdi o norte. Porque não há nada que desnorteie mais uma mãe do que ter um filho internado. Desnorteia, desconcentra, descentra.
Por isso, o sumiço.
E também por isso, estou extremamente agradecida a quem, apesar da minha ausência, esteve aqui nos últimos dias:
A gata por um fio, Adelaide, Ádina, Afonso, Alexandre Alf, Ana, André Luis, Andréa, Anne, Assis Freitas, Bia, Bosco Sobreira, Carol, Ceci, Cherry, Clarice, Claudia, Claudinha, Crys, Diovvani, Dirá, DO, Dora, Edson Marques, Elis, Esyath, Fábio Pinheiro, Fernanda, Francisco Dantas, Hermann, Jota, Ju, Lela, lu, Lu, lu(terceira), Marcelo, MM, Naeno, QuincasB, Rafaela, Ray, Ricardo Rayol, Rubens Ribeiro, Sanka, Saramar, Shi, Shumy, Silêncios do coração, Simone, Taís, Wilson Guanais.

Meus agradecimentos especiais ao Jota pelo afago que me fez (sempre faz) em seu blog!!!!

Volto. Quando os ventos de uma nova primavera soprarem em mim. Mesmo que ainda seja inverno!




Beijos a todos. Ótimos dias!



midi: noites com sol - flávio venturini


Emoção e Indignação

“É direito inalienável de todo cidadão se indignar com o que acontece no seu quotidiano”
Antigo provérbio austro-húngaro-otomano pinçado do blog Jus Indignatus


Grandes tragédias emocionam, indignam, causam inúmeras polêmicas. A tragédia do Vôo JJ 3054, acontecida no dia 17 de julho, emocionou a mim da mesma forma que à maioria dos brasileiros.
Mas vou seguir um desvio. E falar da minha indignação cotidiana. Não tão majestosa, nem tão poderosamente estrondosa. A indignação de saber, mesmo sem ver, que um número assustador de vítimas é feito diariamente neste país. Vítimas de balas perdidas, vítimas de filhos da classe média, vítimas das drogas, vítimas das estradas, vítimas da fome, da falta de políticas públicas, do descaso de governos e sociedade civil, vítimas de uma sociedade elitista que consegue se mobilizar para criar o movimento “cansei” – movimento político-partidário elitista - e é incapaz de mobilizar-se para combater a injustiça social – a maior tragédia deste país.
Fica aqui a minha solidariedade aos parentes e amigos das vítimas do Vôo JJ 3054 . E a minha emoção e indignação sempre crescente pelo fechar de olhos em relação às pequenas, constantes e dolorosas tragédias cotidianas.

(Não sei se posso dizer que este texto faz parte da blogagem coletiva proposta pelo Ricardo Rayol do Jus Indignatus. Com certeza foi inspirado na proposta)


Continuo juntando minha voz a Chico e Milton para pedir ao Pai que afaste de nós este Cálice!

Proseando

Ontem, eram mais de onze horas quando uma antiga amiga me ligou. Chorosa. Indignada. Culpada. Acabara de descobrir que sua filha de 14 anos está grávida. Um fato que, apesar de desestruturante em qualquer família, vem se tornando comum, infelizmente. Depois, já na cama, foi inevitável pensar em nós – eu e esta minha amiga – e em como vivemos a nossa adolescência.
Era um tempo em que a droga mais usada pelo brasileiro – de todas as idades – era a obediência. Era um povo na sua maioria calado. Porque “cala a boca” era expressão usada por pais, professores, maridos e militares - além do temível AI-5 pairando sobre a cabeça de todos nós. E a maioria calava sem sequer saber porque o fazia. Mas nós, uma boa parte dos jovens e adolescentes - sob a influência especialmente dos movimentos de protesto de jovens do mundo inteiro, da contracultura trazida pelo rock’n roll, MPB e o teatro de arena, através das leituras de Marcuse, Marx e outros - criamos outras expressões, tivemos outro comportamento. Desobedecer, questionar, transgredir e que tudo o mais vá pro inferno – este era nosso lema. (Algum tempo depois, descobri que Maiakóviski já dizia isso num poema: “Gente é pra brilhar / Que tudo mais vá pro inferno / Este é o meu slogan / E o do sol”)
Foi o tempo também das pílulas. Do LSD ao anticoncepcional. E não era difícil ter acesso a nenhuma delas, especialmente esta última. Mas apesar da liberação sexual das décadas de 60 e 70 e toda a nossa loucura em função de nossas ideologias, o índice de gravidez na adolescência foi proporcionalmente muito menor do que vemos hoje. Longe de mim querer ser uma especialista em comportamento familiar, mas tentando fazer um paralelo entre nós e os atuais adolescentes, fico pensando que a grande deficiência hoje está num vácuo inominado existente entre pais e filhos. Vácuo estabelecido, conscientemente ou não, por nós - aqueles adolescentes moderníssimos, questionadores, transgressores e engajados. Os mesmos que tiveram pais considerados retrógrados, repressores, castradores. Mas foi com estes pais que aprendemos os valores que nos sustentaram, até para que pudéssemos estar estabelecendo uma nova ordem. Porque para se mudar algo é preciso partir de algum ponto. E fico me perguntando: de que ponto partem hoje os adolescentes?
Parece que em alguma parte do caminho nós, os adolescentes daquele tempo, nos perdemos. A maioria de nós continua sendo cabeça pensante, engajada e indignada (embora questionável em relação à ação).
Mas e como pais? Destruímos o modelo e não soubemos colocar outro no lugar?


* * *



Convite para blogagem coletiva

Copiando direto do Jus Indignatus, blog do Ricardo Rayol:

Como todos sabem no Brasil o povo tem memória curta. Dizem os políticos, envolvidos em escândalos, que se deve fazer o possível para ser esquecido no 16º dia. Então, no dia 02 de agosto, convido a todos para a blogagem coletiva "Vôo JJ 3054 - Uma cena". A idéia é tomar uma cena que mais tenha marcado, na cobertura do acidente e de fatos relacionados, e falar sobre ela.
Participe!

Ótima semana. E beijos meus!



Midi: Cálice - Chico Buarque/Milton Nascimento

Encontro consigo mesma

(carta para minha mana Elis
e a quem mais interessar)

O dia é claro como tantos outros, o mundo fervilha ao seu redor e você o sente apenas superficialmente. Há dias você está desacordada e nem sequer tem a aliviante pretensão de ser a bela adormecida. Porque você sabe, não há príncipe encantado que vá te acordar. No fundo, bem lá no fundo, você sabe mais: o passarinho que fará sua manhã está preso dentro desta sua pouca vontade de ver e de ouvir e de estar e de ser.
Onde foi que você se perdeu?
Não, você não se perdeu. Você está, profundamente, esquecida de si mesma. Como se guardada em esquecimentos conseguisse anular os passos inexoráveis desta vida que está passando por você. Esta mesma vida que em outras épocas foi sua amiga íntima. Mas você sabe que a vida não é uma amiga que ama incondicionalmente. O amor da vida é um amor exigente. Ele cobra cada minuto desperdiçado, cada dia mal vivido. E seus dias, seus minutos estão sendo desperdiçados nesta falta de coragem de ver-se e querer-se e aceitar-se. Mas não há como mudar sem aceitar suas próprias limitações. Sem ser tolerante consigo mesma. Sem o grito que estilhaça o reflexo do espelho. E sem entender que no ato de perder você ganha a possibilidade de ganhar. Sem perdas não há ganhos que possam ser valorizados.
Por isso, é preciso rasgar a pele. Despir a alma. Expor-se a si mesma e promover seu próprio encontro. Coragem. Abra a concha onde se esqueceu e comece a fazer novas escolhas. Mas sem atropelos. Lembre-se de Kafka: "Tenhamos paciência - uma longa, interminável paciência - e tudo nos será dado por acréscimo." E nunca se esqueça de que a vida só se justifica quando você faz da sua caminhada um eterno garimpo do amor.
Siga em frente. Amando-se. Amando. Sempre e profundamente.



* * *



PS.
lu, adoro você aqui!!!


midi: tocando em frente - almir sater

Pedaços de mim

I
Calma! Não fui vítima de Jack estripador nem estou tão ruim a ponto de estar em busca dos meus pedaços. Verdade que ando profundamente preguiçosa. Tanto que ando sumida dos blogs. Mas de resto, estou apenas escorregando em cascas que eu mesma coloco e com uma certa dificuldade para acender luzes no meu caminho. Podia ser pior. Já pensou se eu estivesse contando apenas com a luz no fim do túnel?

II
O texto Absolvi os chats deu o que falar. Recebi alguns e-mails de amigos que por pouco não me chamaram de retrógrada. Tudo bem. Admito que sou exigente e chata quando se trata de linguagem escrita. Mas convenhamos: passei a vida lidando com educação, seria inconcebivel não dar valor à escreita correta.
Nem por isso, sou intransigente. Não uso a norma culta o tempo todo nem deixo de dar valor à linguagem coloquial. Só não consigo deixar de me preocupar com o sumiço das vogais. Coitadinhas! Que mal elas nos fazem para serem excluídas do nosso convívio, hein?

III
E por falar em linguagens...
Fui eleita “o chefe” mais metido que meus caminhoneiros já tiveram. Motivo: uso algumas palavras que ninguém conhece. Em contrapartida, me absolveram: fui eleita a musa deles. Não sei direito porquê, mas com certeza não é prêmio consolação – ou eu mato um!
Resultado: estou aprendendo a falar pequenos palavrões e a cultivar algumas expressões bem pitorescas. E o mais importante: estou montando uma biblioteca na ante-sala do refeitório. Por enquanto, um ou outro se aventura a pegar um gibi. Nenhum livro saiu do lugar. Mas tenho certeza que chegará a vez deles. Especialmente se eu continuar sendo musa de caminhoneiros.

IV
Fim.


Grande beijo pra você.
Se beber, não dirija. Se dirigir, não beba. E principalmente, não confie no pacote de novas medidas que regulamentam a aviação civil.




Midi: Continue curtindo Lady Day – já que mais nada de interessante acontece neste castelo de Abrantes (tentativa infame de fazer trocadilho!!!)

passagem

o plano inclinado
onde derrapou nossa vida
jogou-nos cansados
indigentes
e separados
no abismo da estranheza

de tudo que vivemos
ficou este silêncio
que passeia
ingente
por paisagens
que os anos não adoçaram

mas há sempre
novos dias:
já escuto a algazarra
de passarinhos
balançando a alegria

de inclinado
só restará o galho
na memória das sementes

de silêncio
apenas o intervalo
entre bemóis e sustenidos


* * *

Uma ótima semana e todos meus beijos



PS. Desculpem o meu sumiço. Tem um bichinho estranho me puxando pra baixo e tá dificil vencê-lo. Mas estou tentando reencontrar o caminho. Me aguardem!
Obrigada a todos pela presença, pelo carinho, pela atenção.

midi: solitude - billie holiday

Absolvi os chats!

Meu conceito sobre chats sempre foi o pior possível. Mas... há um tempo atrás, quando estava em busca do meu renascimento, andei entrando em salas de bate-papo. Depois de alguns dias perambulando por elas, cheguei a três conclusões: eu estava me punindo severamente, a idade da pedra está mais perto que imaginei, Chat é um grande espelho onde a gente se vê como quer.
Comecemos pela minha autopunição. Rodopiei de saia justa e saia rodada por todo tipo de chat. De papo-cabeça a dog. Após cada sessão de besteiras – em algumas, pseudo análises de Nietzsche, Platão e trocentos outros filósofos, em outras convite direto para transar com um bicho qualquer, passando por ordens sádicas como se fosse eu uma maso em busca do sofrimento que redime - eu me perguntava: quais foram os ganhos e perdas da noite? Nunca consegui encontrar respostas. Daí a conclusão: era mesmo uma forma de me punir por algo que só a minha mente insana sabia.
Mas da tal punição, apreendi alguma coisa. A maior parte dos freqüentadores de chat, na sua maioria pessoas de bom poder aquisitivo e escolaridade acima da média, está emocionalmente empobrecida, politicamente andrajosa e vogalmente miserável. Esta última merece um parágrafo especial.
Cristo, as vogais estão sumindo do nosso idioma! Não bastasse o nível baixíssimo das opiniões – isso quando se consegue emitir alguma opinião – ainda usam consoantes que suprimem as vogais. Às vezes eu tinha uma dúvida atroz: estou entre adolescentes ou voltei ao mundo das cavernas? Hora me sentia cercada de hormônios desvairados, hora chegava a sentir a dor de ser puxada pelos cabelos. Mas esta resposta também não era importante. Nada parecia ser mais importante que estar ali assassinando o idioma em busca de uma companhia. Inclusive eu – ainda que o vício me fizesse escrever todas as palavras por inteiro e eu me achasse diferente de todos. E todos nós, perdendo as vogais irremediavelmente!
Obviamente, em pouco tempo paguei meus pecados e me alcei ao paraíso – fora dali. Acha que não ganhei nada com isso? Engana-se. Não há experiência que não traga ganhos. Um dos meus grandes ganhos foi encontrar três pessoas maravilhosas que são grandes amigos. Outra e talvez a mais interessante para aquele momento: se o meu ego já era avantajado, tornou-se um monstro em altura, largura e intensidade. Sem nenhum medo de parecer vaidosíssima: sou a deusa dos chats! Além disso, ganhei a certeza de que aquela gente lá não é a escória da humanidade. São pessoas mais que comuns e que no dia-a-dia trabalham, sorriem, amam, odeiam, comem, etc. Exatamente como eu, como você.
Chat não é nem inferno nem paraíso. É apenas o espaço onde as máscaras caem e o ser humano se mostra por inteiro – usando o anonimato ou através das imagens que cria para si mesmo. Quando se consegue analisá-los de fora, como fiz, chega-se à conclusão que é uma terapia de choque. E que choque!






Um grande beijo e ótimos dias!




Midi: Bee Gees - I started a joke


stand by

Não sei se é coisa de pisciana ou se de mim mesma: sei que tenho a pretensão de descobrir tudo que me interessa muito. E quase sempre chego onde quero. Mesmo que ao custo de alguns escorregões, algumas perdas e uma paciência de jó.
Tanto rodeio pra dizer: a página esteve fora do ar e está em stand by porque estive em busca de descobrir como se coloca haloscan no blogger novo!!!! É bem verdade que quase perdi - de novo - este blog. Mas não se alcança metas e objetivos sem correr riscos. Então taí o sistema de comentários que gosto. E estou inteiramente à disposição pra socializar esta minha grande descoberta. Quer as dicas? Me mande e-mail.
Mas agora estou com pressa e pressa é inimiga da inspiração. Volto depois pra deixar algo que mereça a sua leitura.


Beijos muitos e até!!!

Vida

Ontem meu coração parou. Por palavras-convite ao pecado da luxúria. Havia dois caminhos para voltar à vida, eu sabia. Um deles consagraria o meu espírito. O outro sangraria a minha carne. Quando o coração voltou a bater não havia mais escolha: eu já me transformara inteira no pecado da gula. Pecar é preciso, Viver é impreciso.


* * *

Continuo abusando e lambuzando beijos... em quem quiser!



PS. Existem poetas que fazem do poema um ponto de exclamação. Depois somem em reticências. Não é justo isso!!!


midi: momento - pedro abrunhosa

Poetando

negação


quando
concreto
teu sujeito-deus
vibra desafio
a fome
de tal coisa
lambe
minha boca

mordo o sonho
cuspo o veneno

e os lábios
todos eles
fecham-se
ao profano

divina
molho-me
sozinha


Participando:


More:

Se este sujeito-deus
Não quebra tua resistência
Caia nos meus braços:
Dois pra lá, dois pra cá
E todos os teus lábios
Se abrirão sorridentes

Rafaela Silva Santos:

"Quero e não quero
Nego-me a ver
Que é tola essa insistência
Dessa concreta existência
De te querer com prazer."

Simone Oliveira:

E desse lamber
escorre o hálito
esconde-se o gozo
outro outono
não sou mais nada
sou tudo.

Naeno:

Por todas as ruas, onde ando sozinho
Eu ando sozinho, com você.
E você que nem se lembra mais.
Se lembra!
Do jeito que eu fui,
Tão dedicado, meu amor.
Lembro com saudades
A rua a cerca, o espinho, a flor
Tantos gestos fis pra lhe falar,
Lhe ver sorrir.
Você se lembra.

Ainda ando sozinho,
Eu já nem sei se ando,
Eu ando sonhando com você.
E você que nem se lembra mais,
Se lembra...
Do jeito que eu sou
Tão complicado,meu amor
Fico encabulado
Quando vou pegar uma flor
E há tantos gestos mais
Pra lhe falar e esta canção
Pra você lembrar.



* * *

Semana linda pra você! E beijos meus!







wonderful world

Hoje quero ser chata. Ou talvez apenas caminhar na contramão do orgulho humano. Estou falando da eleição das sete maravilhas do mundo. Para começar, devo dizer: nada contra os monumentos escolhidos. A beleza, a ousadia e a engenhosidade que os envolvem são admiráveis. E sou tão sensível a elas quanto qualquer ser humano. Contudo, são apenas demonstração da inteligência humana. E a inteligência, por si só, não garante a qualidade de vida no nosso planeta.
Portanto, a meu ver seria muito mais interessante que se fizesse uma eleição das maravilhas naturais, estas que gritam pela preservação. Ou, seguindo a idéia da criação do homem, as maravilhas da sabedoria humana. Seria uma forma de resgatar valores e re-valorizar legados imortais. Legados estes que permanecem entre nós, não como grandiosidades, mas como luzes que podem e devem acender as nossas próprias.
Posso pensar em vários destes legados, de maior ou menor importância, e deixo o convite: vamos relembrar o que a inteligência, aliada à sabedoria humana, nos deixou? Começo, você continua:

- a desobediência civil proposta por Mahatma Gandhi – revolução pacífica pela igualdade e fraternidade que inspirou grandes líderes como Martin Luther King e Nelson Mandela.
- o livro – uma das mais revolucionárias criações humanas, responsável pela disseminação do conhecimento, pela preservação da cultura, da história, das ciências, das artes e da literatura.

e uma escolha muito pessoal:
- a pílula anticoncepcional - pelo que representou na minha liberação sexual e, conseqüentemente, na revolução que provoquei na minha cabeça e no meu entorno.

Participando:

Endmore:
O mais belo e mais perfeito monumento de todos os tempos: a mulher.

Dora:
Eu dou meu voto para a Penicilina...E para Alexander Fleming! Que aliás, já foi detentor do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina. Ele é um "monumento". E sua descoberta, a Penicilina, quantas vidas salvou??? Vc já teve alguma infecção? Quem não teve? Já pensou se não existisse a penicilina (o primeiro antibiótico)?

Jota Effe Esse:
Eu daria o meu voto para o patriotismo/humanismo do marehal Rondon. Nos contatos com os índios ele dizia; morrer se preciso for, matar jamais.

Guto:
Penso que Copérnico, Darwin e Freud revolucionaram a sabedoria humana com a derrubada de conceitos como, respectivamente: o Teocentrismo, que acreditava ser a terra o centro do universo; a Superioridade Humana frente às outras formas de vida, com a teoria da evolução das espécies; e a primazia do inconsciente sobre a consciência na mente humana. Estas maravilhas mudaram o rumo da humanidade, penso eu.

Maria Rita Schettino:
Um “monumento” brasileiro: Paulo Freire. Revolucionou a Educação através da Pedagogia Crítica e criou a Pedagogia da Conscientização, propondo um trabalho inclusivo que privilegia as classes mais pobres, visando sua educação e a criação de uma consciência política participativa.

Luis Tomás:
Sou pela Revolução Francesa, lembrada ontem na comemoração da Queda da Bastilha em 1789, fato marcante e simbólico dentro da revolução.
Em que pesem as guerras e o terror advindo desta revolução, foi através dela que foram semeadas novas ideologias na Europa (e em conseqüência no resto do mundo), em especial os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, princípios perseguidos até hoje pelo mundo ocidental.

Claudinha:
Adorei que tenha citado a pílula, pois esta foi marco de uma geração que se descobriu dona de suas vidas, de suas escolhas.

Lela:
Há uma maravilha natural, Loba, que luto para preservar; é a beleza doce e terna do sorriso de Kauan, meu afilhado, meu dengo de 4 anos. Preservar o sorriso dele é preservar o seu direito a uma vida segura com saúde, educação, amor e um mundo menos vilipendiado.


* * *

Grande beijo e ótimos dias a todos.


Midi: What a wonderful world - Louis Armstrong

Odeio

noites discretas
político bandido
musa sem poeta
silêncio sem mito
fim sem princípio
palavra sem ação
criança com frio
esta não-inspiração

e como odeio muitas outras coisas (politicamente incorreta que sou), inclusive estas pobres rimas que quase nunca me permito, viro a página e abro o que adoro: ser indicada pela Esyath, de novo como referência.
Com meus agradecimentos pelos (exagerados) elogios, cumpro parte do que me compete: uma imagem que gosto, um poema que amo!


A imagem:



O poema:

Fruto

Nos galhos secos
da árvore morta
floresceu um ninho

Em troca de canto
alguma esperança
madura o passarinho

Poema de Wilson Guanais, publicado no livro Um poema pra Loba

(agora diz aí: cabe mais narcisismo nesta página???? o que não faz a falta de inspiração!)




POETANDO JUNTO:

Assis Freitas:


ODEIO II

Em tudo que me falta
na pressa e na calma
Odeio

Em tudo que me causa
avaria e estranheza
Odeio

Principalmente odeio
mas mesmo assim anseio:

os beijos que não dei
os carinhos que não colhi
os caminhos que não escolhi
a casa em que não morei

os versos que não escrevi

Um beijo abusado e lambuzado de vermelhos!!!!





Midi: Strange fruit - Billie Holiday

Poetando

Felicidade
(ou Uma espécie de céu)


é liberdade de precisar
ferozmente de si mesmo

é esquecer de conjugar
um pretérito imperfeito

é peito ferido de alívio
pelo cinzeiro apagado

é rasgar a página da culpa
mudando a seta na estrada

é sono não-dormido
em solidão preenchida

é levantar-se de um tombo
sem precisar lamber feridas

é coração batendo grande
na surpresa de um sorriso

é descobrir aberta a porta
de uma esperança perdida

(são momentos
que salvam a gente

e a gente nem sente)


Réplicas:

QuincasB:

o corpo só é feliz na ação

lu:

felicidade é namorar com ele
(ai que eu queria saber quem é este ele, lu)

Simone:

Felicidade é... depois de tantos e tantos meses te encontrar tb de casa nova e assim, recomeçar uma amizade que pra mim, jamais acabou.
(linda, linda!!! isso é mesmo muita felicidade)

Naeno:

Triste pássaro
Vi em teu olhar
Na hora do Adeus
Enquanto o táxi
Singra nas ruas da cidade
Eu mergulho na visão de antigos casarões
Triste andorinha
Vi em tua face
Da hora do adeus
Enquanto o táxi
Fere a noite da cidade
Busco teu riso em solitárias canções

Esta canção não diz da minha dor
Nem da medida da minha solidão
Era pra ser uma canção de amor
Ficou somente uma triste canção
Senti-me então um pássaro sem asa
Eu não sou mais um pássro voador
Enquanto o táxi deixava a nossa casa
Em direção a solidão sem cor.

Jeanete Ruaro:

Felicidade é ter a lucidez
de guardar o sonho.

ana.

Felicidade é ter o TUDO e o NADA sem noção de tempo ou espaço para definí-la.


Rafaela Silva Santos:

"Felicidade
é um estado permanente de espírito
Que se completa e compartilha
Quando encontramos alguém
Que esteja nessa mesma sintonia
Lucidez embriagante e única
Mesmo que sozinha."



Uma ex-crônica do perdão

Desde que vi, na televisão, a entrevista de Sirlei, a moça que foi covardemente agredida por um bando de universitários preconceituosos (a meu ver, xenófobos), venho tentando fazer uma crônica. Não sobre o fato em si, mas sobre perdão. Mais como uma homenagem a ela, pela sua imensa e invejável capacidade de perdoar seus agressores. Depois de várias tentativas, desisti. E agora descubro porquê.
Não sei perdoar. Eu que sempre me achei dona de uma grande capacidade de amar, não sei perdoar. E não consigo entender como é possível perdoar quando se está sofrendo as conseqüências de atos criminosos ou inconseqüentes ou egoístas. Sei que perdoar é uma atitude cristã - e sou cristã. Mas também não me esqueci da Lei de Talião que descobri na Bíblia, muitos anos atrás. E confesso: em casos como este, a vontade é fazer justiça com as próprias mãos.
Mas sou filha de Deus, cidadã do século XXI e espera-se que ao menos tenha um comportamento civilizado. E isso pressupõe exercer a minha cidadania sem infringir nenhuma lei. Mas não pressupõe perdoar. Ao contrário daquela moça, eu não perdoaria aqueles rapazes. Não enquanto o último resquício de dor moral não se extinguisse. Mas então não seria perdão. Seria esquecimento. Seria prescrição. Porque alguns atos são imperdoáveis. Assim como é imperdoável que tirem a venda da justiça e usem mecanismos legais para evitar a prisão de criminosos que não sejam pretos ou pobres.
Portanto, se o meu aculturamento não me permite sair por aí aplicando a lei de Talião, posso e devo me indignar. E a crônica que deveria ser de perdão, vira uma voz de indignação. Por Sirlei e por todas as vítimas da violência - seja física, moral, emocional. E que seja também um instrumento de repúdio à impunidade, esta praga que cresce em todos os níveis e se multiplica em mais violência.
E para finalizar: eu me perdôo por não saber perdoar.




***



Bons dias, boas noites, queridas e queridos leitores!

E meus agradecimentos pela presença, pelos comentários, pela amizade.


Sem Midi (hoje não consegui encontrar o dourado da minha pílula)

entrecorte

quando deixa-se
de amar
não há como insistir
:tem que se colher
os espinhos
da despedida

e ainda
de alma dormente
de quimera despida
vazia
tem que se reconhecer
e se abraçar

depois
livre e lenta e nua
buscar o amanhecer
dos dias esquecidos

contando consigo


Poetando junto

Wilson Guanais:

"QUANDO DEIXA-SE DE AMAR..."
(uma releitura quase barroca)

tem que
se recolher
dos espinhos
(a carne)

ainda resta
abrir
nos olhos
a alma

buscar
o amanhecer
dos dias
esquecidos

dentro
da noite
:fora
do sonho.

Ceci:

Quando se deixa de amar,
resta colhêr aquele brilho de olhar
aquele gosto de beijo musical,
aquele calor de dedos entrelaçados,
aquele momento sem nada preciso,
aquela lua prateada na areia,
aqueles versos dançantes...
e cantar para sempre Amar!
Drummond como testemunha
Amém!

Diovvani Mendonça:

QUEM AMA CUIDA, MAS TAMBÉM LIBERTA!

Por mais difícil
que seja:
procuro
encontrar
na dor
de qualquer
despedda,
o DNA
do aprendizado,
que me conduza
à bifurcada estrada
de possibilidades
multiplas.


Tarciso:

Quando deixa-se de amar
quem sobrevém é o vazio
a solidão, o fastio
um rumor na escuridão
certa sede da ternura
que vazou do coração...

Nelson:

Quando perdi meu amor
Achei que nada poderia ser mais triste
Até ouvir Bethania
cantando "Bom dia tristeza"
acompanhada pelo som
de um trombone absurdo
que chorava calmo.

Rafaela Silva Santos:

Quando se deixa de amar....
"A vida desfolha desnudando-se
Espalhando em vários tons
Gritos surdos em sons
Das lágrimas movendo-se."



Midi: Eu não sei quem te perdeu - Pedro Abrunhosa e Sandra de Sá




Proseando

Helena, uma das faxineiras que trabalham comigo, tem um filho autista. Descobri antes mesmo que ela soubesse o que é autismo.
Dia destes, pediu-me para levá-lo para o trabalho - a vizinha não poderia tomar conta dele. Levou-o. Um garoto miúdo e sério. Parecia ter uns 4 anos. Passou toda a manhã num cantinho do corredor brincando com umas caixinhas.
Por várias vezes passei por ele. Em algumas, brinquei, fiz carinho em sua cabeça, mas ele pareceu nem me ver. E eu, de lá para cá nas minhas várias demandas, achei uma gracinha que ele não interferisse na rotina da empresa. Até que ouvi gritos estridentes vindos do corredor. Era hora do almoço e Helena estava tentando tirá-lo do seu mundinho para almoçar. A cena foi terrível. O garoto gritando, chorando e chutando. A mãe segurando seu braço com uma mão e com a outra alternando tapas e beliscões.
Minha reação foi imediata. Garanti a volta do garoto às suas caixinhas e levei Helena para minha sala. Em poucos minutos, tive a confirmação: ele era autista e ela não tinha a menor idéia do que vinha a ser isso, menos ainda de como lidar com o filho. Entre palavras cortadas por um choro cansado, contou-me um pouco de como vivia e do “castigo que era ter um filho esquisito”.
Pensei naquela mulher ganhando o salário mínimo, morando num barraco de dois cômodos com 3 filhos pequenos, sem nenhuma perspectiva de uma vida melhor. Toda minha disposição de condená-la pelo que fizera ao filho virou impotência. Como julgar, pelos meus parâmetros, alguém que apanhou da vida desde que nascera?! Como querer que ela entenda que filhos, diferentes ou não, são presentes e não castigo?! Como esperar que ela saiba que quem ama não bate, se todo o modelo que teve foi exatamente o contrário?!
Respirando fundo, disse a ela o que foi possível naquele momento. Mas eu sabia que era muito pouco. Era apenas uma tentativa de diminuir minha própria impotência.
Desde então, venho buscando parar de me preocupar com isso e me ocupar efetivamente de algo que possa mudar gradativamente esta realidade. Educação. Não há outra saída senão educar crianças e reeducar adultos. O desafio é convencer os patrões de que devem investir na reeducação de seus empregados e convencer os empregados de que mudar não dói. E pode trazer novas perspectivas para a vida de todos.
Será que estou novamente perdendo asas num sonho irrealizável?

Midi: A vida que a gente leva - Leila Pinheiro

despertar

seis da manhã
nenhum galo cantando

em gestos sempre iguais
a vida revela
a cama
a preguiça
os sentidos

e o traço cruel
da solidão:
asas voaram
nos lençóis amassados

as manchetes
acordam a consciência
e desnudam a banalização
da ferida
que dói por dentro

rebelo-me
em gestos desiguais

:apesar do inverno
colherei o dia
no desabrochar
das flores

(ainda que
amores-imperfeitos)




* * *

Uma ótima semana a todos. Muitos beijos.


Midi: I have a dream - Richard Clayderman

Minha vida de "chefa"

- Se tu fosse homem te mandaria pro inferno, mesmo sabendo que perderia o emprego. Como tu é mulher...
O resto da frase pairou entre nós. Não sem antes entrar no meu sangue feminista e provocar uma revolução na cor do meu rosto. Gaúcho machista! Nos olhos dele, faíscas raivosas que gritavam: lugar de mulher é no fogão.
Contei até o congestionamento do rosto passar. Pedi a ele que se sentasse. Sentou-se. Tenso, raivoso, mas contido. De repente, deu uma vontade enorme de rir daquele homem de quase dois metros se contendo para não soltar um palavrão. Porque estava na frente de uma mulher. Mesmo que esta mulher fosse uma baixinha metida a saber de estradas e caminhões. Um sacrilégio, com certeza.
Ao perceber tudo isso, relaxei. Não engulo machismos, mas tinha que reconhecer: não era fácil para um gajo de estrada conter a língua. Menos ainda receber ordens de uma mulher. Resolvi mudar de atitude. Eu não precisava provar que era hierarquicamente superior a ele. E seria fácil demais dar-lhe um ultimato. Difícil seria ensinar-lhe uma maneira nova de lidar com as nossas dificuldades.
Ao invés de impor-lhe a minha decisão, entreguei a ele os meus problemas. Pedi-lhe que encontrasse uma solução em dez minutos – prazo que tínhamos para tomar uma decisão. Passado o prazo, mandei chamá-lo. Entrou com outra postura. Embora ainda tivesse o antigo e arraigado machismo no fundo dos olhos claros, havia um brilho novo: respeito profissional.
- Vou fazer o que tu quer.
Com um aceno de cabeça, desejei-lhe boa viagem e voltei aos meus papéis. Feliz. Mais que isso: com a sensação de vitória. Mais uma vez eu descobrira que contornar obstáculos é mais inteligente que bater de frente com eles. E respeito, a gente conquista.

* * *

Um belo fim de semana a todos! Beijos meus.



Midi: Serenata - Marcus Viana

Poetando

por que é lua cheia
e
lua cheia é espelho de loba,
vamos brincar de poetar?


luada

a lua no corpo
o corpo na cama:

desejo lambendo vontades
desejo beijando fantasias
desejo engasgando desejo

e a maldita distância
fechando bocas
cruzando pernas



Poetando junto

Esyath Barret:

"Desejo te desejar.
Desejar me faz fantasiar.
Existe algo mais excitante
que fantasias pecaminosas?
Mas o desejo de desejar...
Não te traz para perto de moá!"

Anne:

A noite pariu uma lua quase menina
Por trás da elevação não mais escura.
No teto da minha ilha
e acendeu a minha noite de insônia

Lua linda, tão sozinha.
Eu e ela
A cochicharmos segredos
nessa noite clara
nessa paz tão rara
sobre um amor tão puro

Wilson Guanais:

(OU NENHUMA DISTÂNCIA)

uma Loba
uma lua cheia
e...
um poema
sempre

: a menor
distância entre
dois
pontos

no Mistério.

Elis:

Momento lésbico.

Esparramo-me na lua.
Quem a fez tão bela?
São Jorge não foi.
Ele está preocupado em manter a glória de sua espada em riste
e com o seu cavalo branco...
Apenas eu e ela, e as estrelas.
No toque, nos sentimentos e na vontade de um amor maior que nós,
Identificamos-nos.
Mãos espalmadas na superfície branca...
Ambas macias, alvas, porque não trocarmos momentos de amor?

Cássio Amaral:

uivo a noite na madrugada
pra ficar de boa
a noite inteira.

Carito:

...tua lua cheia abaixo ensaia o trânsito livre mas é obscurecida pelo sinal fechado do cruzamento das tuas pernas pra que te quero fantasia abrindo a boca do desejo por um distante apenas...

ana. :

Lua.

Musa do poeta
lua avassaladora
seduz minha alma.

Rafaela Silva Santos:

"Lua cheia e graciosa
Baila em nuvens vigiando
Cintila encantando
A noite escura e aleivosa."

Guto:

A lua que impera e que brilha alta no céu:
cumplice da Loba ela inspira os belos versos
e os desejos de Euza.


* * *

Beijos estrelados e noites de amor a todos vocês!



PS. todos os poemas deixados aqui (em 2007) estão postados neste endereço: Poetando com a Loba


Midi: I love my man - Billie Holiday

Página solta

Não são as grandes tragédias que me movem. Sinto-as, é bem verdade. Cada pedacinho da minha carne chora a dor que todos choram. Mas no fundo sei: choro as minhas dores. Aquelas que escondo sob camadas de véus e só me permito tirar quando posso misturá-las a outras.
Não que eu seja insensível às dores dos meus semelhantes. Mas na minha reconhecida impotência para lidar com o que está além de mim, volto-me para dentro. E cada emoção criada pela dor alheia, lembra uma emoção que guardei. Aos poucos viro rio. E nem tão aos poucos, seco. É só o tempo de virar ontem o que hoje me lembrou aquelas dores. É o meu processo de entendimento do mundo. Só assim consigo me sentir inteira para, no lugar do choro, colocar uma atitude de mudança. Só assim vou transformando tragédias em força, dores em passos.
E de passo em passo vou me distribuindo – para mim e para além de mim.


Poetando sobre:

Nelson:

Tenho um "mim" que não se aguenta
Explode "eu" em vários outros
Que já nem mais só em gentes
Estou também nas outras coisas

Diovvani:

"Melhor é ficar atento,
virar do avesso todo lamento.
Pois a cada instante damos adeus,
ao que fomos um segundo atrás".




* * *

Sejam bem vindos os novos: Ronald, André Luis, Afonso, Wagner. Sejam re-bem vindos aqueles que andavam sumidos. E àqueles que sempre me acompanham: meu carinho e meus agradecimentos.


Midi: Ne me quitte pas - Nina Simone

Se ler é o melhor remédio...

Hoje acordei querendo ler uma besteira qualquer. Uma história de amor, bem amor. Ou uma revista daquelas que não dão nó em neurônios ou que façam o pensamento saltar entrelinhas. E disse a mim mesma: hoje eu posso. Já fiz todos meus deveres de casa.
(Porque uma pessoa precisa respeitar seus dias de papel em branco. E deixar estes dias passarem despercebidos e anônimos e desconhecedores.)
Mas antes não pensava assim. Eu sempre me irritei e me entristeci e me compadeci com esta absoluta falta de leitura que ronda grande parte deste país. Algumas pessoas não lêem nada. Nem história de amor, bem amor. Nem receita de bolo-felicidade.
Então virei musa de caminhoneiros. E descobri que ficar irritada, entristecida, compadecida não muda a sintaxe do povo brasileiro. Nem me faz querer ser literariamente correta o tempo inteiro. E mudei. E comecei a pensar que ler qualquer coisa pode ser melhor que nunca ler nada. E que falar mal de subliteratura é olhar para o próprio umbigo e esquecer que nem todos os neurônios são preparados para devorar livros de grandes autores. Os neurônios que passam fome irão, no máximo, entender uma placa de sinalização. Aqueles que batalham para garantir o aprumo da coluna vertebral podem ir um pouco mais além. Mas raramente conseguirão passar das construções rudimentares de uma auto-ajuda, da linguagem infantilizada dos heróis de quadrinhos ou da legenda que abre a métrica de um corpo nu das revistas masculinas.
Culpa deles? Culpa minha? Culpa sua? Culpa das editoras que fecham espaço à poesia e entopem o mundo com Brunas Surfistinhas?
Seja como for, fica a pergunta: é melhor ler qualquer coisa do que nunca ler nada?



* * *

E por falar em neurônios, os meus estão esfumaçando com este blogger novo. Quer salvar uma alma ainda leitora? Me ensine a fazer os links abrirem em janelas diferentes, por favor!!!!

* * *

Ótima semana pra você. E meus beijos.

De Poesia, blogs e amigos


Aproveitando uma pergunta feita pelo poetamigo Francisco Dantas, o post que ganhei da querida Luma, o que li no blog do Lino Resende e no blog do Ricardo Rayol, volto ao tema que adoro: blogs.
Quando fiz meu primeiro blog, estava à procura de um espaço onde, anonimamente, pudesse fazer minha catarse. E fiz. Joguei na tela minhas neuras, meus anseios, minhas paixões. Surpresa, descobri que não só era assistida como acompanhada por um número crescente de pessoas. Pessoas diferentes entre si, mas que se viam em mim. E o mais surpreendente: eu me via em cada uma delas, embora acreditasse ser diferente de todas.
Aos poucos meu blog virou ponto de encontro. E foram muitos, interessantes, criativos encontros. E o blog passou a ter como grande objetivo a interação. Fiz grandes e belas amizades. Algumas, efêmeras. Outras, eternas. Em todas elas, as trocas, o carinho, a companhia.
Mas descobri que blog vai além disso. Muito além. É um grande instrumento de aprendizagem. E a professora rendeu-se. Virou aprendiz em tempo integral.
Foi aqui que fiz meus primeiros versos. Foi através do incentivo de amigos que ousei poetar. Eu que sempre amei poesia, mas nunca ousei fazê-la minha. A convivência com poetas como AdéliaTheresaCampos, Antoniel Campos, Assis Dantas, Assis Freitas, Benno Assmann, Carlili Vasconcelos, Cássio Amaral, Dácio Jaegger, Dora Vilela, ElisAlegria, Geórgia, Jeanete Ruaro, Linaldo Guedes, Luiz Tarciso, Márcia Maia, Rafael Nolli, Regis Marques, Val Freitas e muitos outros grandes poetas-blogueiros, me fez invejosa. Eu lia o que eles escreviam e me perguntava: por que não posso também escrever bonito assim?
E ousei. E me misturei a outros grandes poetas. E virei musa. E amei. E poetei. No início, daquele jeito desengonçado como criança que começa a andar. Depois aos poucos fui pegando o jeito do poema. Ajudada pelos amigos, incentivada pelos poetas.
Hoje, ainda que não me sinta verdadeiramente poeta, brinco com a Poesia de forma íntima. Sem nenhuma intenção de ser ótima, mas com todas as invejas possíveis de poetas como Bosco Sobreira, Erly Ricci e Wilson Guanais – três grandes incentivadores, musos e poetamigos.
Mas não cresci apenas na Poesia. A cada dia descubro que nada sei e que aprendo algo novo ao visitar os blogs da minha lista (que cresce numa ligeireza maior que meu tempo). Às vezes, uma palavra. Outras, uma frase. Uma indignação, uma catarse, uma estação – em todos me vejo descobrindo, aprendendo, me surpreendendo. E amando cada vez mais este espaço democrático, diverso e receptivo.
E todos os dias, me misturo a Fernando Pessoa na renovação da minha certeza: não sou nada, não posso ser nada, não quero ser nada. Mas tenho todos os blogs do mundo!

*(todos os amigos citados estão na lista aí do lado.
e todos os não-citados também)


Um grande beijo a todos.
(Especialmente aos que ainda não foram citados, mas que são muito importantes no meu dia-a-dia de blogueira)


SOS!!!!
Alguém sabe me ensinar como fazer meus links abrirem em janelas diferentes, neste blogger novo???


Midi: All of me - Billie Holiday

Mix

Há dias em que fico assim:
um tanto de vontades,
um tanto de idéias,
um tanto de palavras,

mas nada que preste para ser lido!


Mesmo assim furo a fila do tempo e venho aqui. E como estou no mais profundo do encantamento narcísico - afinal ser musa de livro é muito mais do que meu classificado sonhou - pensei em fazer um lindo post para o poeta que me imortalizou. Mas de lindo só tenho o desejo. Como nada sai além de palavras soltas, deixo-as ao vento dos primeiros dias de um inverno quente. Como agradecimento e homenagem a Wilson Guanais, o poeta-magia:

Desfecho

de tanto
embebedar-se
de sementes
regadas
em fio de navalha
o poeta
milagrou:

madurou frutos
onde a bela adormecida
planta bananeira
e flores de plástico



Mas como nem só de encantamento vive uma musa, peço licença ao sonho para perguntar à realidade:

O que pensam de nós os veneráveis anciãos do Senado brasileiro? Que somos um bando de idiotas?

E será que não somos?


Beijos mil!!!!

em concerto

no começo
foram notas
barrocas:

olhos
inventaram
promessas
de sons

depois
o desejo
deu o tom:

lábios
selaram
harmonia
do gosto

línguas
fizeram
o compasso
em sol
caos
stradivarius

e o beijo
se fez sinfonia
(eterna
enquanto
endorfina)

* * *


Mais uma vez, mil desculpas pelo meu sumiço. Os motivos são os de sempre: chatos, feios e pragmáticos. E a saudade, maior que a de sempre.

Beijos e Carpe Diem!

Sobre textos, viagens e comentários

Descobri porque detesto ler bula de remédio e manual de instrução! Mas a história é longa. Sente-se, relaxe e leia até onde aguentar.
Até outro dia eu me considerava uma péssima leitora. Não por não gostar de ler bulas e manuais de instrução. Nem por ler pouco. Leio demais. Tanto que leio até quando não posso. Mas por me sentir quase sempre na contramão das interpretações de um leitor normal.
Desde pequena, o livro é para mim um barco perdido no mar. Nele a viagem é sempre sem rumo, sem compromisso, sem pontuações. E ao terminar a leitura de um texto – seja ele grande ou pequeno, excepcional ou apenas razoável, prosa ou verso – sempre me vejo náufraga. Perdida. E cheia de milesetecentaseduas idéias. Até que coloco os pés no chão e descubro que a viagem foi tão longa que não percebi as intenções do autor.
É o que sempre acontece quando entro num blog. Leio, viajo e na hora de comentar percebo, lendo os demais comentários, que escorreguei na maionese. E saio meio mal, me sentindo ridícula ou louca. E deixando, quase sempre, um comentário genérico para não expor a minha loucura ou me expor ao ridículo de dizer besteiras.
Mas houve o outro dia. O dia em que li uma entrevista de Ricardo Piglia, na Revista EntreLivros (que a Taís querida me deu de presente). Foi como se eu me olhasse num espelho e descobrisse minha alma-leitora. Não sou uma péssima leitora. Talvez eu seja uma leitora ruim. Mas Piglia me convenceu que um leitor ruim é aquele que lê errado e que ler errado costuma ser muito produtivo. Ao ler errado tem-se a oportunidade de descobrir novos sentidos para a leitura. E encontrar novos sentidos é ter uma interpretação própria, que independe das intenções do autor ou do que outros possam ter apreendido da leitura.
Então, agora que sei que ser uma leitora ruim não é ruim, entendo também uma outra coisa. Entendo esta alegria incontida que sinto ao perceber que provoquei no meu leitor uma reação em forma de outro texto. Quando o meu texto - em prosa ou verso, bom ou ruim - é capaz de fazer com que alguém crie sobre ele, independente do sentido que eu quis dar a ele, me sinto autora, dona do meu próprio texto e dona da capacidade de instigar. Assim como fico maravilhada quando percebo, através dos comentários, as várias e diferentes interpretações que meu texto proporcionou. Algumas vezes, até me surpreendo ao perceber que o leitor foi muito além da minha intenção. E enriqueceu o texto com a sua visão diferenciada, com o sentido novo que criou.
Este talvez seja o melhor feedback que um autor possa receber.
(Percebeu porque a bula e o manual de instruções não me interessam? Imagina se eu resolvo dar um sentido outro ao que diz uma bula? Provavelmente morrerei intoxicada ou matarei alguém!)

PSs:

1. Meus muitos agradecimentos, cheios de beijos e carinho, ao poeta Wilson Guanais por ter me feito a musa do belo livro Um poema pra Loba. Não dá nem pra quantificar a minha alegria.
2. Milhões de agradecimentos ao professor-poeta-artista plástico Francisco Assis de Mello por ter me autorizado a usar e abusar de sua bela tela.
3. Meus beijos agradecidos ao poeta Bosco Sobreira que outra vez me ajudou a deixar o template como eu gosto.
4. Outros beijos também agradecidos ao poeta-irmão-querido Dacio Jaegger que continua sendo meu anjo-da-guarda-virtual!
5. E agora, agradecimentos à Dorita pelos tomatinhos estes
que distribuo a todos os blogs amigos, por gostar e admirar muito cada um deles.


Ótimos dias a todos. Beijos e carinho.

em redefinição

para Ser
preciso aceitar
impotências e calmarias
tempestades e girassóis
promessas e muralhas

para Ser
preciso enxergar
ratos e miragens
entranhas e oitavas
camélias e adagas

para Ser
preciso antes
me perder
e em novos
espelhos
me reconhecer

Poetando junto:

Esyath Barret:


"Te vejo no espelho?
Não!
O que enxergas,
é o espectro
do teu próprio reflexo,
que precisa ser
novamente o teu "tu",
em espelhadas definições!"

Jorge:


Ser ou não ser?
Eu não sei não
E nem busco resposta
Pra tamanha indagação.
Só sei que nada sei
E minha vida é indagação
Sou feito de duvidas muitas
Um eterno ponto de interrogação.

Mais amar

(ou Um quase plágio)

Quase seis da manhã. Preguiça e sono. Mas é preciso começar a luta diária de sair - sem traumas - dos aconchegantes braços de morfeu. Uma fagulha de realidade me lembra: é dia dos namorados. O vazio do meu lado direito me provoca: dia de vestir-se de poeta fingidora e fazer nascer aquele poema de amor - lírico e divino - que nunca me engravidou.
(Tenho neurônios. E mais de dois. Posso senti-los - ainda meio adormecidos, gripados e afônicos - trombando uns nos outros. Certeza idiota. Não consigo fazê-los funcionar a esta hora. Sem chances, até mesmo de tentar, o tal poema de amor.)
Mas é dia dos namorados. Olho o escuro do quarto e a única inspiração é plagiar, descaradamente, o D.Lê. Imagino o cheiro de café e me enrosco nas cobertas. Preguiçosa, busco na memória os homens que amei. Mas não há passado no verbo amar. "Amores serão sempre amáveis" - grita em plágio o lado esquerdo do peito. São amáveis, mas não amantes - a carne, em solitária vigília, responde. Então penso nestes homens que despertam a minha inquietude. E o amor ao amor sobrepõe-se à vontade de poema.
É tempo de conjugações no presente. Tempo de mais amar.

ocaso

por vezes
a tarde desbota

dos cantos da memória
surge em sépia
a saudade:

um barco sem vela
um raio poente
dois corpos
náufragos no amor

é quando perco
um pedaço das asas

em vôos cegos
rasgo a noite
e a falta de sentido
da apólice de seguro

por que deram
às minhas tardes
uma tábua de salvação?